Moraes ordena depoimento presencial de Bolsonaro sobre pistola apreendida

Autorização para depoimento presencial
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes autorizou a realização de Bolsonaro arma apreendida em investigação conduzida pela Polícia Civil do Distrito Federal. A decisão, proferida na sexta-feira (19), determina que o depoimento do ex-presidente ocorra de forma presencial, contrariando o pedido inicial da corporação policial que solicitava a oitiva por videoconferência.
A autorização se refere ao inquérito aberto para apurar as circunstâncias da apreensão de uma pistola registrada em nome de Bolsonaro durante operação de fiscalização realizada na semana anterior. O ministro estabeleceu que o depoimento seja colhido na residência onde o ex-presidente cumpre prisão domiciliar, na tarde da próxima terça-feira (23).
Moraes justificou a determinação argumentando que existem restrições legais para o uso de comunicações eletrônicas em procedimentos dessa natureza, tornando necessária a presença física do depoente. A decisão reafirma os protocolos estabelecidos para garantir a validade jurídica do depoimento.
Contexto da apreensão da arma
A pistola Glock 9mm foi interceptada durante blitz realizada pela Polícia Militar em Brasília na segunda-feira (15). O veículo em que se encontrava a arma era conduzido pelo militar Estácio Leite da Silva Filho, vinculado ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e cedido à Casa Civil para atuar na segurança de Bolsonaro.
Conforme relato do condutor à polícia, a arma estava sendo transportada para ser submetida a reparos técnicos. Embora o registro da pistola estivesse regularizado junto ao Exército, sob nome do ex-presidente, a Polícia Civil procedeu com a apreensão em razão da ausência do Certificado de Registro de Arma de Fogo (Craf) no interior do automóvel, requisito obrigatório para o transporte.
O militar responsável pelo veículo foi ouvido pelos agentes e posteriormente liberado. A investigação prossegue sob responsabilidade da Polícia Civil do Distrito Federal, que busca esclarecer os procedimentos adotados durante o transporte e as justificativas apresentadas.
Dificuldades no cumprimento da intimação
Em documento oficial, Moraes registrou que anteriores tentativas de efetuar a intimação pessoal de Bolsonaro resultaram infrutíferas. Segundo o relato, a equipe de escolta responsável pela segurança do ex-presidente impediu a entrega formal do chamado, impossibilitando que o intimando recebesse pessoalmente a convocação.
Essa circunstância levou o ministro a determinar o comparecimento presencial durante o cumprimento da prisão domiciliar, assegurando assim a ciência do acusado sobre as obrigações processuais. A decisão garante que o depoimento ocorra sob condições que atendam aos requisitos legais de validade.
Situação processual do ex-presidente
Bolsonaro cumpre atualmente condenação que totaliza 27 anos e três meses de prisão. Desde o dia 24 de março deste ano, beneficia-se de prisão domiciliar de caráter humanitário, autorizada pelo próprio Moraes inicialmente por prazo de 90 dias. A medida foi concedida para permitir a recuperação do ex-presidente de quadro de broncopneumonia.
A prisão domiciliar mantém restrições significativas aos movimentos e atividades do ex-presidente, permanecendo sob supervisão das autoridades competentes. O cumprimento dessa modalidade de prisão não suspende investigações em andamento nem processos relacionados a possíveis irregularidades administrativas.
Investigação sobre procedimentos de segurança
O caso da arma apreendida suscita questões sobre os protocolos de segurança estabelecidos para o ex-presidente durante sua prisão domiciliar. A documentação da arma estar regularizada junto ao Exército levanta questionamentos sobre os procedimentos autorizados para manutenção de bens pessoais durante o cumprimento de pena.
A investigação também busca esclarecer se os procedimentos adotados pela equipe de segurança estavam em conformidade com as determinações judiciais e normativas aplicáveis. A conduta da equipe de escolta em impedir a intimação pessoal também constitui aspecto relevante para análise das autoridades competentes.
O depoimento de Bolsonaro marca novo capítulo em série de procedimentos investigativos que envolvem o ex-presidente desde o início de seu encarceramento. A audiência está prevista para ocorrer sob supervisão direta, garantindo o cumprimento integral das formalidades processuais exigidas pela legislação brasileira.



