Flávio Bolsonaro defende filhas para cuidado na velhice

Declaração polêmica sobre filhas e cuidado na velhice
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, fez uma declaração que gerou repercussão ao afirmar que teve duas filhas especificamente para que elas o cuidem quando envelhecer. A manifestação ocorreu durante evento realizado na quarta-feira, onde o político anunciou seu candidato a vice-presidente. Essa fala sobre filhas para cuidado na velhice reflete uma visão tradicional sobre papéis de gênero e responsabilidades familiares.
Durante o discurso, Flávio argumentou que as mulheres naturalmente possuem maiores responsabilidades com idosos em comparação aos homens. "Muitas vezes, na grande parte das vezes, quem tem que tomar conta dos idosos são as mulheres. Eu fiz duas filhas exatamente para isso. Quando eu ficar velhinho, eu vou ter quem vai tomar conta de mim, porque as mulheres são assim: são família, são coração, são sentimento, são sensibilidade", declarou o senador durante o evento.
Contexto familiar e justificativas políticas
O pré-candidato é pai de duas meninas adolescentes, uma com 14 anos e outra com 12 anos, ambas fruto do matrimônio com Fernanda Bolsonaro, profissional na área odontológica. A declaração foi proferida no mesmo instante em que Flávio anunciava o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como seu candidato a vice-presidente para as eleições daquele ano.
Flávio aproveitou o momento para trazer à tona a discussão sobre a economia do cuidado, ressaltando que o Brasil não remunera adequadamente o trabalho feminino realizado no âmbito doméstico. Segundo suas colocações, tarefas como cuidar de idosos, crianças e manutenção do lar deveriam ser computadas na economia nacional como atividades de valor significativo.
A economia do cuidado e impacto no PIB
O candidato apresentou números que demonstram a magnitude dessa economia invisível. Conforme mencionado em seu discurso, aproximadamente 8,5% do Produto Interno Bruto nacional seria representado se as mulheres recebessem remuneração pelas atividades de cuidado que executam regularmente além de seus trabalhos convencionais. "Eu tô aprendendo muito com todas vocês, a economia do cuidado, onde 8,5% do nosso PIB seria estimado se as mulheres fossem remuneradas por cuidar dos idosos, por cuidar dos filhos, por fazer outras tarefas além do seu trabalho normal", complementou Flávio durante sua fala.
Essa perspectiva busca colocar em evidência a importância econômica do trabalho não remunerado, historicamente realizado predominantemente por mulheres nas sociedades contemporâneas, incluindo a brasileira.
Estratégia de atração do voto feminino
A campanha de Flávio Bolsonaro vinha buscando, nas semanas anteriores ao evento, incorporar uma mulher na chapa presidencial como forma de ampliar o apelo junto ao eleitorado feminino, que representa 52,8% dos votantes brasileiros. Essa tentativa enfrentou obstáculos quando os respectivos partidos das possíveis candidatas declararam neutralidade nas eleições, impedindo suas participações.
Mulheres politicamente relevantes compareceram ao evento, incluindo a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal e filiada ao Republicanos. Ambas haviam sido consideradas como potenciais integrantes da chapa, porém não conseguiram se viabilizar politicamente para essa função.
Posicionamento de aliadas políticas
Tereza Cristina, durante breve pronunciamento no evento, agradeceu o convite para integrar a chapa como vice-presidente, mas esclareceu que não poderia aceitar a posição devido a determinações e restrições de seu partido político. Daniella Marques, por sua vez, utilizou o espaço para discorrer sobre a relevância do desenvolvimento de políticas públicas voltadas especificamente para defesa e promoção dos direitos das mulheres brasileiras.
A ex-presidente da Caixa argumentou que a presença de um homem na posição de vice não constituiria fator determinante para afastamento do eleitorado feminino da candidatura de Flávio. Em sua avaliação, as mulheres votam baseadas em valores políticos e propostas concretas, não exclusivamente em identificação de gênero com candidatos. "A mulher não vota só porque é mulher, ela vota em valores. Ela vai avaliar os valores do Alfredo Gaspar", destacou Daniella Marques, complementando que Gaspar, como promotor de Justiça, traz expertise em Segurança Pública, área considerada prioritária pelas agendas políticas nacionais.
Menções à família Bolsonaro e ausências significativas
Durante seu discurso, o candidato ressaltou que Michelle Bolsonaro (PL) estaria trabalhando para vencer a disputa eleitoral pelo Senado, representando o Distrito Federal. No entanto, Michelle não compareceu ao evento de anúncio de Gaspar como vice, assim como havia faltado à convenção que oficializou a candidatura de Flávio.
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) forneceu justificativa para a ausência de Michelle, informando que ela estaria dedicada aos cuidados de Jair Bolsonaro, que seguia em regime de prisão domiciliar naquele período. A declaração de Damares reforça, de certa forma, o próprio argumento apresentado por Flávio sobre o papel tradicional das mulheres como cuidadoras no contexto familiar.



