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Política

Flávio Bolsonaro afirma candidatura a presidente com foco em agenda social

Flávio Bolsonaro afirma candidatura a presidente com foco em agenda social
Fonte: g1.globo.com/sp/sao-paulo/eleicoes/2026/noticia/2026/06/20/flavio-volta-adotar-bandeiras-e-slongan-de-lula-e-diz-que-vai-acabar-com-a-fome-a-esperanca-vai-vencer-o-medo-esse-ano.ghtml

Anúncio da candidatura presidencial

Em evento realizado neste sábado (20) na cidade de Guarulhos, região metropolitana de São Paulo, o senador Flávio Bolsonaro confirmou sua candidatura a presidente da República pelo PL para as eleições de 2026. Durante o lançamento da pré-candidatura de André do Prado ao Senado Federal, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro expressou que aceitou a indicação por considerar a decisão como uma "missão dada" pelo pai.

Em seu discurso, Flávio Bolsonaro ressaltou que inicialmente não pretendia concorrer ao cargo máximo do Executivo, porém circunstâncias especiais e a indicação do ex-presidente o motivaram a aceitar o desafio. Segundo suas palavras, a candidatura a presidente representa uma questão de fé, tratando-se do que denominou como "projeto de Deus". O senador aproveitou a oportunidade para agradecer o apoio do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que também participava do evento.

Adoção de bandeiras históricas e slogan de Lula

Numa estratégia que marca uma mudança significativa no posicionamento político, Flávio Bolsonaro apropriou-se durante seu discurso de temas historicamente associados ao presidente Lula e ao Partido dos Trabalhadores. De forma notável, ao encerrar sua fala, o pré-candidato utilizou o célebre slogan petista "a esperança vai vencer o medo este ano", originalmente empregado pela esquerda na campanha presidencial de 2022.

Esta abordagem revela uma mudança estratégica na plataforma do candidato, sinalizando a incorporação de pautas sociais ao programa político da chapa. O discurso procura demonstrar que a agenda de combate à pobreza e às desigualdades sociais não é exclusividade de um único espectro político, buscando conquistar eleitores que historicamente votam em candidatos progressistas.

Compromisso com o combate à fome e políticas sociais

A prioridade central do programa de candidatura a presidente de Flávio Bolsonaro concentra-se no combate à fome e na implementação de políticas de proteção social. Durante seu pronunciamento, o senador afirmou que será "radical" no cumprimento de promessas relacionadas ao pacto contra a insegurança alimentar, tema que qualificou como promessa não cumprida pelo governo Lula há mais de duas décadas.

"Vou ser radical para cumprir uma promessa que o Lula faz há mais de 20 anos e não cumpre: o pacto contra a fome. É fácil. Basta ter vontade. Porque hoje, uma criança de dois, três anos de idade, não tem o que comer às vezes. Como essa criança vai se desenvolver? É nossa obrigação dar ajuda a essas crianças desde a creche", declarou Flávio em seu discurso no evento de Guarulhos.

O candidato também comprometeu-se com a eliminação das filas de creches no país, propondo investimentos federais direcionados aos estados e municípios para possibilitar que mulheres deixem seus filhos em instituições de educação infantil enquanto trabalham. Essa pauta reflete uma tentativa de diálogo com eleitorados historicamente progressistas, particularmente mulheres trabalhadoras e famílias de baixa renda.

Defesa do Bolsa Família e expansão de benefícios

Numa postura que contrasta com ações do governo anterior encabeçado por seu pai, Flávio Bolsonaro defende veementemente a continuidade e expansão do Programa Bolsa Família. Durante participação no VEJA Fórum Rumos do Brasil realizado na segunda-feira (15), o senador afirmou que o programa converteu-se em "direito adquirido" da população brasileira e que ninguém possui legitimidade para extinguilo.

O pré-candidato argumenta que a proteção previdenciária deve ser mantida por período prolongado mesmo após beneficiários conquistarem empregos formais ou iniciarem atividades empreendedoras. Segundo suas análises, aproximadamente 70% dos beneficiários do Bolsa Família trabalham na informalidade e evitam transitar para a formalização por receio de perder o auxílio, o que justificaria mecanismos de transição gradual entre os regimes de proteção.

"Esse programa virou direito adquirido do povo brasileiro. Ninguém tem o direito de tocar ou de acabar com esse programa. Qualquer país do mundo tem um programa para pessoas de baixa renda que têm dificuldade alimentar", afirmou Flávio durante o fórum especializado.

Propostas de inclusão econômica e empreendedorismo

Para além da manutenção de programas de transferência de renda, a plataforma de candidatura a presidente de Flávio Bolsonaro incorpora propostas voltadas à inclusão econômica e ao fomento do empreendedorismo entre populações de baixa renda. O candidato propõe a implementação de iniciativas diferenciadas conforme o perfil específico de cada beneficiário de políticas sociais.

Entre as medidas mencionadas encontram-se: expansão do acesso a internet de alta velocidade, disponibilização de microcrédito com taxas subsidiadas, capacitação em educação financeira e redução da burocracia para a abertura de pequenos negócios e microempresas. O objetivo declarado é permitir que beneficiários de programas sociais transicionem para a autonomia econômica, "caminhando com as próprias pernas" sem dependência contínua de políticas de assistência governamental.

Participação de Daniela Marques na campanha

Flávio Bolsonaro revelou que Daniela Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal, integra sua equipe de campanha e contribuirá na elaboração de propostas nas dimensões econômica e social. A executiva licenciou-se por seis meses de suas atividades profissionais em empresa privada para dedicar-se integralmente ao projeto político do pré-candidato.

A escolha de Marques representa uma tentativa de conferir credibilidade técnica ao programa de candidatura a presidente, particularmente em temas relacionados a responsabilidade social e inclusão econômica. Durante sua gestão na Caixa, Daniela implementou programas específicos destinados a mulheres empreendedoras e trabalhou na modernização dos sistemas de acesso ao crédito para populações historicamente excluídas dos mercados financeiros formais.

Antes de assumir a presidência da Caixa em junho de 2022, Daniela Marques atuava como secretária especial de Produtividade e Competitividade do Ministério da Economia, sendo uma das principais colaboradoras do então ministro Paulo Guedes. Na ocasião de sua indicação para o banco estatal, comprometeu-se com o fortalecimento da governança institucional e com a investigação de denúncias de assédio sexual que afetavam a organização.

Perspectivas para o processo eleitoral

O posicionamento adotado por Flávio Bolsonaro em sua candidatura a presidente sinaliza uma reconfiguração estratégica da direita brasileira em relação a políticas sociais e agendas tradicionalmente progressistas. A incorporação de bandeiras históricas de Lula e do PT, aliada à defesa intransigente do Bolsa Família e ao foco em combate à fome, representa um movimento de aproximação com eleitorados que historicamente votam em candidatos de esquerda.

Esta estratégia busca reposicionar a direita política no espectro eleitoral, demonstrando que agendas de proteção social não são exclusividade de um único partido ou espectro ideológico. A eleição de 2026 promete-se competitiva, com candidatos disputando o mesmo espaço político através de promessas semelhantes em diversas áreas, particularmente nas dimensões de proteção social, segurança alimentar e inclusão econômica.

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