Quaest identifica voto útil de direita concentrado em Flávio Bolsonaro
Fenômeno de voto útil de direita favorece Flávio Bolsonaro
Uma análise detalhada da pesquisa Quaest divulgada no sábado revela um significativo movimento de voto útil de direita concentrado em Flávio Bolsonaro (PL), conforme destacou Felipe Nunes, diretor da consultoria e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Esse fenômeno representa uma tendência importante no cenário eleitoral, mostrando como eleitores de candidaturas concorrentes migraram suas preferências para reforçar candidatura competitiva.
Segundo Felipe Nunes, em entrevista à Central das Eleições, da GloboNews, o movimento de voto útil de direita constituiu o principal destaque da rodada de pesquisa. "É verdade que Lula até oscila um ponto, mas o movimento que a gente captura é um movimento de voto útil de direita", afirmou o diretor da Quaest. Essa constatação sugere uma dinâmica eleitoral onde os apoiadores de outras candidaturas de direita optaram por concentrar suas escolhas em Bolsonaro.
Cenário de empate técnico e redistribuição de votos
No levantamento realizado pela Quaest, Lula (PT) registrou 46% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro alcançou 45%, configurando uma situação de empate técnico. Quando considerados todos os votos, Lula avançou de 39% para 40% em relação à pesquisa anterior, divulgada na segunda-feira, enquanto Flávio saltou de 34% para 38%, demonstrando a força da migração de votos.
Essa expansão da votação de Flávio Bolsonaro reflete exatamente o fenômeno denominado por Felipe Nunes como um movimento de voto útil de direita. O diretor explicou que as candidaturas alternativas da direita funcionaram, ao longo do primeiro turno, como um reservatório de eleitores potencialmente dispostos a migrar para Bolsonaro, caso ele se consolidasse como nome competitivo na disputa.
Candidaturas alternativas atuam como reservatório de votos
Segundo a análise de Felipe Nunes, as demais candidaturas de direita cumpriram um papel específico no primeiro turno. "É como se elas tivessem funcionado durante esse primeiro turno como uma caixa d'água de votos, um reservatório de votos à espera desses movimentos", descreveu Nunes. Essa metáfora ilustra como os eleitores dessas candidaturas permaneceram disponíveis para eventual migração em direção a Flávio Bolsonaro.
Os dados coletados pela Quaest confirmam essa dinâmica ao questionar eleitores de candidaturas alternativas sobre suas possíveis escolhas em um segundo turno. Entre os 60% dos eleitores de Renan Santos (Missão) que foram consultados, a maioria indicou que votaria em Flávio Bolsonaro em eventual segundo turno contra Lula. O mesmo padrão se repetiu entre 43% dos apoiadores de Ronaldo Caiado (PSD) e 34% dos eleitores de Augusto Cury (Avante).
Metodologia e confiabilidade da pesquisa
A pesquisa Quaest foi encomendada pela Globo e pelo jornal O Globo, apresentando rigor metodológico apropriado. O levantamento entrevistou 3.702 eleitores com idade a partir de 16 anos, durante os dias 2 e 3 de outubro. A margem de erro estabelecida é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, considerando um nível de confiança de 95%. A pesquisa foi devidamente registrada na Justiça Eleitoral sob o número BR-02197/2026, garantindo transparência e conformidade legal.
Potencial intensificação do voto útil de direita no dia da eleição
Na avaliação de Felipe Nunes, o movimento de voto útil de direita observado pela Quaest possui potencial para se intensificar ainda mais no dia da votação. Segundo o diretor, uma migração adicional de eleitores das demais candidaturas poderia levar Flávio Bolsonaro a terminar o primeiro turno numericamente à frente de Lula. "Então o eleitor está se decidindo e eu não me surpreenderia se a gente visse esse movimento se intensificando amanhã, porque o movimento de voto útil da direita agora ele é, eu diria, muito decisivo", afirmou Nunes.
O diretor complementou sua análise ressaltando a força desse fenômeno eleitoral: "Ele é muito forte, né? Eu acho que há elementos para dizer, inclusive, que amanhã nas urnas a gente pode ver um movimento de Flávio, inclusive à frente de Lula, se esse contingente de eleitores de alternativas decidir dessa forma". Essa avaliação demonstra a relevância do voto útil de direita como fator determinante nas preferências eleitorais.
Expectativa de segundo turno mantém-se firme
Apesar da possibilidade de intensificação do movimento, Felipe Nunes ponderou que o volume de eleitores das outras candidaturas que afirmam já ter decidido o voto sustenta a expectativa tradicional de que a disputa seja resolvida em dois turnos. "O volume de eleitores dessas alternativas que neste momento diz que já decidiu o seu voto é grande o suficiente, eu diria, para que a gente trabalhe ainda com o cenário de dois turnos", argumentou o diretor.
Os dados consolidam essa perspectiva ao indicarem que 75% dos eleitores de Ronaldo Caiado (PSD), 68% dos de Augusto Cury (Avante) e 66% dos de Renan Santos (Missão) declaram que sua escolha para o primeiro turno é definitiva. Entre os apoiadores de Lula, essa proporção sobe para 92%, enquanto entre os de Flávio Bolsonaro atinge 89%, demonstrando a consolidação das preferências principais.
Distribuição atual de intenções de voto
A rodada mais recente da Quaest apresentou a seguinte distribuição de intenções de voto, considerando todos os votos: Lula (PT) com 40%, avançando de 39% da pesquisa anterior; Flávio Bolsonaro (PL) com 38%, saltando de 34%; Ronaldo Caiado (PSD) com 3%, recuando de 4%; Augusto Cury (Avante) também com 3%, reduzindo de 4%; Renan Santos (Missão) mantendo 3%; Indecisos com 3%, caindo de 5%; e Branco/nulo/não vai votar permanecendo em 10%.
Esse cenário reforça a análise de Felipe Nunes sobre o movimento de voto útil de direita, evidenciando como os eleitores de candidaturas alternativas começaram a concentrar suas preferências em Flávio Bolsonaro. A dinâmica eleitoral observada pela Quaest ilustra um processo contínuo de consolidação de votos, onde o voto útil de direita se apresenta como estratégia adotada por significativo segmento do eleitorado.



