Gilmar Mendes solicita acesso ao celular de Vorcaro antes do julgamento

Requisição do ministro Gilmar Mendes
O ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes solicitou neste domingo que o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, encaminhe uma cópia integral do celular de Vorcaro, dispositivo apreendido durante a Operação Compliance Zero. A ação ocorre em contexto de grande tensão institucional, poucos dias antes de julgamento crucial marcado para terça-feira no plenário da Corte.
De acordo com o pedido do ministro, o material do celular de Vorcaro servirá como base essencial para análise do relatório que envolve mensagens trocadas entre o ex-banqueiro e o ministro Alexandre de Moraes. Mendes ressaltou que a documentação permanecerá sob regime rigoroso de restrição, com acesso limitado exclusivamente ao seu gabinete, mantendo os mesmos protocolos de confidencialidade adotados desde 8 de março.
Garantias de sigilo e confidencialidade
Em sua manifestação, Gilmar Mendes enfatizou categoricamente que "não se cogita qualquer levantamento de sigilo" relacionado ao celular de Vorcaro. O ministro argumentou que o material seria acessado apenas por servidores submetidos aos mesmos deveres de confidencialidade que vinculam o relator e as autoridades policiais responsáveis pela custódia das provas.
A cópia solicitada do celular de Vorcaro refere-se a um iPhone 17 Pro apreendido pela Polícia Federal em 18 de novembro de 2025, quando o ex-banqueiro foi preso pela primeira vez. Mendes sustentou que sem acesso integral ao conteúdo do dispositivo, seria impossível identificar possíveis omissões, obscuridades ou contradições presentes no relatório preparado para o julgamento de terça-feira.
Conflito entre ministros sobre acesso às provas
A requisição de Mendes segue determinação anterior do ministro Cristiano Zanin, que ordenou ao diretor-geral da Polícia Federal entregar cópia completa do celular de Vorcaro até as 23h do mesmo domingo. Essa decisão intensificou o clima tenso dentro da instituição, gerando divergências significativas entre os integrantes da Corte.
O ministro André Mendonça, em contraposição, havia enviado ofício argumentando que compartilhar integralmente o conteúdo extraído do celular de Vorcaro "somente contribuiria para tumultuar o julgamento" e colocaria "em risco todo o seguimento e êxito das investigações" em andamento. Mendonça afirmava que todos os ministros já possuíam material suficiente para a deliberação na terça-feira.
Posicionamento de Zanin sobre hierarquia institucional
Em resposta às objeções de Mendonça, Cristiano Zanin rebateu argumentando que não existe hierarquia entre os ministros do STF. O magistrado enfatizou que as provas pertencem ao plenário da Corte e a seus integrantes coletivamente, não sendo propriedade exclusiva de um ministro específico. Zanin também confirmou que a Polícia Federal informou ter plenas condições técnicas de fornecer cópia do celular de Vorcaro a todos os gabinetes sem prejudicar a cadeia de custódia das evidências.
O ministro reiterou ainda que o material já havia sido disponibilizado aos advogados de Daniel Vorcaro, demonstrando que sua divulgação adicional não representaria quebra de protocolos já estabelecidos. Zanin pontuou que precisa do conteúdo na íntegra para formar convicção adequada antes de proferir voto no julgamento de terça-feira, ressaltando que "não se pode opor aos julgadores qualquer restrição ao acesso a informações".
Contexto do julgamento de terça-feira
O julgamento marcado para terça-feira (15) foi convocado pelo ministro Fachin na quarta-feira anterior, com objetivo de discutir o relatório da Polícia Federal que apontou suposta relação entre Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro. Durante a sessão, os ministros analisarão a validade do documento elaborado a pedido de André Mendonça, que sofreu críticas de vários integrantes da Corte.
A questão central envolve se Mendonça estava autorizado a solicitar investigação sobre colega sem aprovação prévia do plenário. Trata-se de caso inédito no Supremo Tribunal Federal, gerando intensas articulações nos bastidores da instituição e especulações sobre posicionamentos dos magistrados.
Análise dos votos esperados
Atualmente, seis votos são considerados mais consolidados no que diz respeito ao julgamento sobre o celular de Vorcaro e as mensagens com Alexandre de Moraes. Os ministros Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin estão alinhados em apoio a Moraes. Por outro lado, André Mendonça conta com suporte de Luiz Fux e Kassio Nunes Marques.
Há incerteza significativa sobre os posicionamentos de Fachin e Cármen Lúcia, ambos recebendo sinalizações de ambos os lados. Dias Toffoli teria indicado intenção de não participar da votação, considerando o caso como desdobramento do inquérito Master, do qual se declarou suspeito. Contudo, persiste discussão sobre se questões processuais permitiriam sua participação.
Implicações para a instituição
A disputa em torno do acesso ao celular de Vorcaro reflete tensões profundas dentro do Supremo Tribunal Federal relacionadas a procedimentos, transparência e independência institucional. A determinação de Zanin de entrega até as 23h do domingo, seguida pela solicitação de Gilmar Mendes, demonstra convergência de vários ministros quanto à necessidade de acesso integral às provas antes do julgamento decisivo sobre as mensagens e possível relação entre Vorcaro e Moraes.


