Divergências sobre orçamento de 'Dark Horse' dividem produtor e diretor

Produtor e diretor divergem sobre custos de 'Dark Horse'
A produtora Karina Gama, proprietária da GoUp, e o diretor Cyrus Nowrasteh apresentaram narrativas distintas a respeito do orçamento de 'Dark Horse'. Enquanto o diretor sustenta que os gastos já executados incluem despesas com distribuição e marketing, a produtora contesta essa interpretação, argumentando que tais custos não foram computados no montante divulgado.
O filme 'Dark Horse', que conta com o ator Jim Caviezel interpretando o ex-presidente Jair Bolsonaro, tornou-se centro de atenção após investigações da Polícia Federal revelarem transações milionárias. Conforme relatórios do Coaf, o banqueiro Daniel Vorcaro repassou US$ 12,3 milhões mediante solicitação do senador Flávio Bolsonaro, distribuídos em sete parcelas entre janeiro e setembro de 2025.
Esclarecimentos do diretor sobre custos de produção
Na quinta-feira (19), através de postagem na rede social X, Cyrus manifestou-se sobre as cifras associadas ao projeto, qualificando-as como "ridiculamente infladas". O diretor explicou que os valores divulgados para 'Dark Horse' englobam custos projetados de marketing, prática distinta daquela adotada nos Estados Unidos, onde orçamentos de produção são reportados separadamente das despesas publicitárias.
"Os números divulgados para o custo do filme são ridiculamente inflados. Eles incluem custos projetados de marketing para 'Dark Horse'. Marketing e publicidade para um filme frequentemente excedem os custos de produção. Nos EUA, não combinamos os dois, como fazem no Brasil", afirmou o diretor em sua declaração inicial.
Diante da repercussão gerada por sua postagem, Cyrus retornou à plataforma no dia seguinte para esclarecer sua posição. Segundo o diretor, a imprensa brasileira cometeu equívoco ao comparar os orçamentos de 'Dark Horse' com produções hollywoodianas, uma vez que estas últimas apresentam apenas custos de produção, enquanto a cifra brasileira incorpora gastos com marketing e publicidade.
"Muitos tentaram distorcer meu comentário. Apenas para esclarecer: a comparação de custos que a imprensa brasileira tem feito é falha. Nos EUA, os orçamentos de produção são reportados sem os custos de marketing. A cifra de 'Dark Horse', citada na cobertura jornalística, no entanto, já inclui marketing. Comparar uma cifra de produção mais marketing contra custos de produção sozinhos é simplesmente equivocado", reafirmou.
Declarações da produtora sobre gastos realizados
Quando consultada pela reportagem, Karina Gama sustentou que aproximadamente US$ 13 milhões já foram investidos na produção. Contudo, conforme sua versão, este montante não contempla despesas relativas à distribuição, divulgação e marketing, denominadas pelos profissionais da indústria como "P&A".
A produtora detalhou que os recursos foram direcionados exclusivamente para as fases de "desenvolvimento, soft pré, pré-produção, filmagem e pós-produção" do filme. Karina acrescentou que serão necessários investimentos adicionais para as etapas subsequentes de distribuição e divulgação do longa.
Questão sobre origem dos recursos financeiros
A Polícia Federal investiga não apenas o destino dos recursos transferidos pelo banqueiro Daniel Vorcaro, mas também se houve desvios para finalidades diversas. Entre as possibilidades investigadas está a utilização de parte dos valores para custear a permanência de Eduardo Bolsonaro, deputado federal cassado, nos Estados Unidos.
Os relatórios do Coaf indicam que as transferências ocorreram em sete parcelas sucessivas ao longo de nove meses, configurando um fluxo financeiro significativo que gerou suspeitas sobre a efetiva aplicação dos recursos no projeto cinematográfico.
Limitações informacionais do lado norte-americano
Aspecto relevante da investigação envolve a indisponibilidade de informações relativas aos gastos ocorridos nos Estados Unidos. Embora 'Dark Horse' tenha sido inteiramente filmado no Brasil, a maior proporção dos investimentos foi realizada em território norte-americano, onde se localiza o braço operacional da GoUp.
Mike Davis, sócio de Karina e responsável pela estrutura americana da GoUp, manifestou-se mediante comunicação eletrônica informando que não autorizaria o repasse de documentação empresarial armazenada nos EUA às autoridades brasileiras sem observância dos procedimentos formais de cooperação jurídica internacional.
"Conforme orientação de nossos advogados nos Estados Unidos, informo que, na minha condição de sócio majoritário da GOUP Entertainment LLC, não autorizo o encaminhamento, às autoridades brasileiras ou a quaisquer terceiros, de documentos societários, contábeis, fiscais, bancários ou contratuais da empresa custodiados nos Estados Unidos sem a estrita observância do devido processo legal norte-americano", declarou Michael Davis, produtor da Go Up Entertainment LLC.
Esta posição levanta questões significativas sobre a transparência financeira do projeto e complica potencialmente as investigações conduzidas pelas autoridades brasileiras, que dependem de informações custodiadas no exterior para avaliar completamente a aplicação dos valores canalizados para a produção de 'Dark Horse'.


