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Trump volta a atacar Powell fora do Fed

Trump volta a atacar Powell fora do Fed
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Trump exige saída de Powell do conselho do Fed

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a atacar Jerome Powell nesta quarta-feira (30), exigindo publicamente sua saída do conselho do Federal Reserve, mesmo após Powell deixar a presidência do banco central em maio. Trump ataca Powell argumentando que ele não consegue administrar adequadamente uma instituição financeira de tamanha importância, particularmente em relação às decisões sobre política de juros.

A nova investida de Trump ocorre após a divulgação de um relatório de fiscalização que, embora tenha afastado condutas criminais, identificou falhas significativas na supervisão das reformas da sede do banco central em Washington. Apesar dessa conclusão limitada, Trump não moderou o tom e intensificou suas críticas contra o ex-presidente do Fed.

Declarações inflamadas nas redes sociais

Utilizando a plataforma Truth Social, Trump fez acusações diretas contra Powell, afirmando que ele "deveria ser obrigado a renunciar ao conselho" do Federal Reserve. O presidente argumentou que aquele que não consegue administrar um prédio não deveria ter responsabilidade sobre decisões financeiras cruciais da nação.

"Powell deveria ser obrigado a renunciar ao conselho. Ele não consegue administrar um prédio e certamente não deveria ter permissão para administrar sua política de juros altos", escreveu Trump na rede social. O presidente americano elevou ainda mais o tom ao sugerir que, caso Powell não renuncie voluntariamente, ele deveria ser processado nas instâncias mais altas do sistema judicial norte-americano.

Relatório afasta crime, mas aponta falhas administrativas

A inspeção-geral do Federal Reserve completou sua investigação e chegou a conclusões que contradizem parcialmente os argumentos de Trump. Segundo o órgão de fiscalização, não havia fundamento para encaminhar o caso à Justiça nem evidências de má conduta administrativa diretamente relacionadas ao aumento dos custos da reforma.

"Em nenhum momento durante nossa avaliação encontramos fundamentos razoáveis para acreditar que tivesse ocorrido uma violação da legislação criminal federal que exigisse o encaminhamento do caso ao procurador-geral dos EUA", afirmou o documento de investigação. Contudo, o relatório não isentou completamente a administração de Powell de responsabilidades.

Embora o órgão não tenha identificado má conduta administrativa propriamente dita, reconheceu deficiências significativas na supervisão do projeto de reforma. O documento recomendou a implementação de medidas corretivas para evitar problemas similares no futuro. Essas falhas na supervisão contribuíram para que o custo total da reforma dos dois prédios históricos do Federal Reserve em Washington extrapolasse em aproximadamente US$ 1 bilhão (R$ 5,17 bilhões) o orçamento inicial.

Os números da reforma cara do Fed

O projeto de reforma do Federal Reserve atingiu um custo total de aproximadamente US$ 2,4 bilhões (R$ 12,4 bilhões), representando um aumento expressivo em relação às estimativas originais. A investigação da inspeção-geral identificou várias razões para esse estouro significativo de orçamento que agora alimenta os ataques de Trump contra Powell.

Uma das principais falhas apontadas foi a forma inadequada como o Federal Reserve estruturou um contrato que deveria estabelecer um preço máximo garantido para a obra. Na prática, esse limite nunca foi efetivamente fixado, permitindo que os gestores do projeto continuassem aprovando subcontratações que elevaram tanto os custos quanto o prazo total da reforma.

O relatório apresenta exemplos concretos de desperdício. Os sistemas hidráulico e de climatização custaram ao Federal Reserve US$ 346 milhões (R$ 1,79 bilhão), cifra que representa o triplo do valor estimado inicialmente para esses serviços. Esse tipo de custo descontrolado alimentou a narrativa de Trump sobre má administração.

Luxo ou necessidade: o debate sobre os gastos

A Casa Branca e aliados políticos de Trump atribuíram parte do aumento dos custos a supostas melhorias de luxo, como acabamentos em mármore, elementos decorativos de água e um terraço com jardim integrado ao projeto. Essas alegações serviram de combustível para os ataques do presidente contra Powell e sua administração.

Contudo, o relatório da inspeção-geral chegou a uma conclusão diferente: esses itens considerados luxuosos "não contribuíram de forma relevante" para o estouro do orçamento total da reforma. Powell havia argumentado anteriormente que os gastos adicionais resultaram de dificuldades inesperadas durante a execução, como a necessidade de retirada de amianto, além de aumentos nos custos de materiais e mão de obra que superaram as previsões iniciais. A construção também avançou mais profundamente no subsolo que o planejado.

Uma disputa que vai além da reforma

O conflito entre Trump e Powell não começou com a reforma do Federal Reserve em Washington. Trump indicou Powell para a presidência do Fed no final de 2017, mas rapidamente passou a criticá-lo publicamente no ano seguinte por não reduzir os juros no ritmo desejado pelo governo presidencial.

Durante anos, Trump pressionou continuamente o banco central para adotar taxas de juros menores, argumentando que isso beneficiaria a economia e os cidadãos americanos. Quando chegou ao segundo mandato, o presidente transformou o aumento dos custos da reforma da sede do Fed em um novo foco de seus ataques contra Powell, expandindo a disputa para além das questões de política monetária.

Em julho de 2025, Trump visitou pessoalmente o local das obras para reforçar suas críticas em relação aos gastos. Na ocasião, Powell contestou publicamente diante das câmeras o valor do estouro de custos citado pelo presidente, gerando uma situação de tensão visível entre ambos.

Envolvimento do Departamento de Justiça

A tensão entre Trump e Powell aumentou significativamente em janeiro de 2026, quando a Procuradoria dos Estados Unidos no Distrito de Colúmbia intimou o conselho do Federal Reserve a entregar informações detalhadas sobre os gastos da reforma e sobre um depoimento de Powell ao Congresso.

Powell revelou de forma incomum em um pronunciamento em vídeo que o Departamento de Justiça havia ameaçado indiciá-lo criminalmente. O então presidente do Federal Reserve classificou essa iniciativa como uma tentativa deliberada de intimidar uma instituição que define os juros de acordo com o que considera melhor para o país, não segundo as preferências políticas do presidente.

Em março, um juiz federal anulou as intimações feitas pelo Departamento de Justiça. A decisão concordou com o argumento de Powell de que elas serviam como pretexto para pressioná-lo a reduzir os juros ou deixar seu cargo. A investigação do Departamento de Justiça foi posteriormente encerrada, e o caso foi transferido à inspeção-geral do Federal Reserve.

Powell deixa presidência mas permanece no conselho

Powell deixou a presidência do Federal Reserve em maio deste ano, mas permanece como integrante ativo do conselho do banco central. Seu mandato nessa função ainda não foi encerrado, o que explica por que Trump continua tentando forçar sua saída completa da instituição.

Em sua última entrevista coletiva como presidente do Fed, em abril, Powell justificou sua decisão de permanecer no conselho, afirmando que não deixaria essa posição até que a investigação estivesse verdadeiramente concluída com transparência e de maneira definitiva. Ele mantém essa posição mesmo diante da pressão pública de Trump.

O atual presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, anunciou que adotará todas as recomendações do relatório para a gestão futura do projeto de reforma. Warsh também contratará uma auditoria independente para verificar a exatidão e a conformidade dos custos que foram aprovados até o momento.

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