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Sully Sullenberger, piloto do milagre no Hudson, revela diagnóstico de Alzheimer

Sully Sullenberger, piloto do milagre no Hudson, revela diagnóstico de Alzheimer
Fonte: g1.globo.com/mundo/noticia/2026/07/14/piloto-que-pousou-aviao-no-rio-hudson-em-nova-york-revela-diagnostico-de-alzheimer.ghtml

Piloto icônico anuncia diagnóstico de Alzheimer

Chesley 'Sully' Sullenberger, o renomado piloto que conquistou fama internacional ao realizar um pouso de emergência no rio Hudson em Nova York, divulgou nesta terça-feira (14) seu diagnóstico de Alzheimer. O anúncio, feito pelo próprio capitão, marca um novo capítulo na vida daquele que se tornou símbolo de coragem e excelência profissional após o memorável incidente de 2009.

O Sully Sullenberger que o mundo conhece é resultado de décadas dedicadas à aviação comercial, período em que acumulou experiência e conhecimento técnico que seriam fundamentais para aquele que seria o maior teste de sua carreira. Agora, aos 83 anos, enfrenta um desafio pessoal que afeta milhões de pessoas em todo o mundo.

O histórico pouso no rio Hudson

No dia 15 de janeiro de 2009, o comandante Sullenberger estava na cabine de comando do voo US Airways 1549, um Airbus A320 que decolou do aeroporto de LaGuardia com destino a Seattle, fazendo escala em Charlotte. A aeronave transportava 150 passageiros e 5 tripulantes, totalizando 155 pessoas a bordo.

Menos de três minutos após a decolagem, em uma situação que parecia destinada à tragédia, a aeronave colidiu com um bando de pássaros a uma altitude de aproximadamente 859 metros. O impacto foi catastrófico do ponto de vista operacional: ambos os motores aspiraram os animais e cessaram seu funcionamento instantaneamente, deixando a aeronave sem qualquer empuxo durante a fase crítica de subida.

Decisões em segundos que salvaram vidas

Diante da situação de emergência, o capitão enviou uma mensagem de mayday à torre de controle. Sullenberger avaliou rapidamente suas opções: retornar a LaGuardia ou tentar alcançar o aeroporto de Teterboro, em Nova Jersey. Após calcular meticulosamente as distâncias, velocidades e altitudes, percebeu que nenhuma das alternativas era viável.

Foi então que comunicou à torre sua decisão audaciosa: 'Não vamos conseguir. Vamos para o Hudson'. Essa mensagem, pronunciada com calma profissional, antecedeu um dos pousos mais extraordinários da história da aviação comercial. O comandante direcionou a aeronave para o rio, efetuando o pouso cinco minutos após a decolagem em plena água, a uma velocidade de 230 quilômetros por hora e em um ângulo de 9 graus em relação ao horizonte.

Resgate e conseqüências do milagre

O impacto foi absorvido pela estrutura da aeronave de forma que permitiu sua flutuação, possibilitando o resgate de todos os ocupantes. O comandante Sullenberger foi o último a abandonar a aeronave, percorrendo a cabine por duas vezes para confirmar que nenhum passageiro havia permanecido a bordo. Sua ação exemplar de liderança em crise tornou-se referência internacional.

A Guarda Costeira e embarcações na região responderam com notável rapidez, conseguindo resgatar todas as 155 pessoas em minutos. Embora muitos sofressem de hipotermia, considerando que a temperatura ambiente era de -7 graus Celsius naquele inverno do hemisfério norte, nenhuma vida foi perdida. O evento ficou conhecido como o 'milagre do Hudson'.

Legado do capitão Sullenberger

Após a extraordinária façanha de 2009, o capitão se aposentou em 2010, finalizando 30 anos de carreira na aviação comercial. Sua história transcendeu os limites da aviação, ganhando adaptação cinematográfica pela direção de Clint Eastwood, com Tom Hanks interpretando o protagonista. O filme amplificou ainda mais a figura lendária do piloto em escala global.

Nos anos seguintes, Sullenberger dedicou-se à carreira de palestrante e consultor de aviação, compartilhando suas experiências e conhecimentos com profissionais e públicos diversos. Seu nome tornou-se sinônimo de decisões corretas sob pressão extrema, demonstrando como o treinamento adequado, a experiência acumulada e a presença de espírito podem determinar a diferença entre tragédia e salvação.

Novo desafio pessoal

O anúncio do diagnóstico de Alzheimer marca um novo capítulo na trajetória de Chesley Sullenberger. A doença neurodegenerativa, que afeta milhões de pessoas mundialmente, constitui um desafio profundamente diferente daquele enfrentado no rio Hudson. Diferentemente do pouso que permitiu decisões rápidas e técnicas, o Alzheimer representa uma batalha progressiva e silenciosa contra a deterioração cognitiva.

A revelação pública do diagnóstico por parte do capitão pode contribuir para aumentar a consciência sobre a doença e a importância da pesquisa médica nesta área. Sua coragem em compartilhar essa informação pessoal reflete a mesma determinação que caracterizou suas ações profissionais ao longo de sua notável carreira.

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