Musical em cordel 'trieletrizado' encena vida de Moraes Moreira

Uma vida em cena: o musical que retrata Moraes Moreira
O universo artístico de Moraes Moreira ganha uma dimensão teatral inédita com o espetáculo que promete levar aos palcos a história completa do artista baiano. A produção, intitulada "Moraes musical Moreira", faz sua estreia nacional no dia 13 de agosto na Sala Principal do Teatro Castro Alves, em Salvador (BA), marcando o início de uma jornada que percorrerá outras capitais brasileiras.
O legado artístico de Moraes Moreira
Antonio Carlos Moreira Pires (1947-2020) deixou um legado multifacetado que transcende os limites do carnaval baiano. Nascido em Ituaçu (BA), o artista revolucionou a música brasileira ao ser precursor do movimento da axé music, transformando o instrumental "Double morse" (1975), do Trio Elétrico Dodô & Osmar, na emblemática "Pombo correio" em 1977.
A carreira de Moraes Moreira iniciou-se em 1975 como músico solo, após sua saída do grupo Novos Baianos em 1974, coletivo que o projetou nacionalmente no final da década de 1960. Com o sucesso de "Pombo correio", o compositor ultrapassou as barreiras regionais, levando sua música para além da Bahia e Pernambuco, compondo frevos que mesclavam a tradição pernambucana com a energia dos trios elétricos baianos.
A estrutura inovadora do espetáculo
Sob direção da atriz e coreógrafa Ana Paula Bouzas, o musical reúne 12 atores cantores em cena para executar uma proposta cênica diferenciada. A dramaturgia foi elaborada por Fábio Espírito Santo, enquanto a direção musical fica a cargo de João Milet Meirelles e Ronei Jorge, garantindo uma experiência multidimensional ao público.
A estrutura narrativa do espetáculo fundamenta-se na multiplicidade de talentos de Moraes Moreira. Além de músico, o homenageado também foi produtor de livros, cronista, poeta e cordelista, aspectos que guiaram a construção dramática e a seleção das composições que integram o musical.
Um cordel 'trieletrizado': a proposta criativa
A denominação "cordel trieletrizado" reflete a fusão criativa entre a tradição da literatura de cordel e a modernidade dos trios elétricos, elementos essenciais na carreira de Moraes Moreira. Segundo o dramaturgo Fábio Espírito Santo, o mote inicial da dramaturgia surge da canção "De cantor pra Cantador", do disco "SerTão" (2018), um cordel onde o próprio Moraes narra sua transição entre funções artísticas.
Na concepção do espetáculo, Moraes Moreira figura como um experiente cantador que, na praça de Ituaçu, apresenta um cordel sobre o "Vaqueiro do Som", personagem inspirado nele mesmo, inserido no universo onírico permitido pela literatura de cordel tradicional. O musical apresenta-se como "uma realidade fantasiada", onde a diversidade musical do artista constitui o eixo central da narrativa cênica.
Elenco e interpretação
A interpretação de Moraes Moreira no palco é realizada por dois atores distintos, cada um representando diferentes facetas do artista. Cris Meirelles assume o papel do Vaqueiro do Som, enquanto Rodrigo Sestrem interpreta o Poeta Cantador, criando uma dinâmica que reflete a multiplicidade criativa de Moraes Moreira ao longo de sua trajetória.
Cronograma de apresentações
Após a estreia em Salvador, o musical segue em turnê por outras cidades brasileiras. A partir de setembro, a produção será apresentada em Recife (PE), Brasília (DF) e Rio de Janeiro (RJ), levando a história de Moraes Moreira para diferentes regiões do país e permitindo que públicos variados conheçam sua contribuição para a música brasileira.
O significado cultural da produção
A escolha de Salvador como local de estreia não é casual. A capital baiana foi o epicentro da inovação musical que Moraes Moreira protagonizou, sendo berço do carnaval transformado pela sua atuação. O espetáculo reconhece a importância histórica do artista para a cultura baiana e sua influência nas dinâmicas musicais do país, consolidando seu reconhecimento através da linguagem teatral como homenagem definitiva a sua memória artística.



