Jornal 24/7
Política

Motta e Alcolumbre divergem em votações por disputa de reeleição

Motta e Alcolumbre divergem em votações por disputa de reeleição
Fonte: g1.globo.com/politica/noticia/2026/06/21/sucessao-do-congresso-e-disputa-eleitoral-deixam-motta-e-alcolumbre-em-lados-opostos-em-votacoes.ghtml

Desalinhamento entre lideranças parlametares marca agenda legislativa

As divergências entre Motta e Alcolumbre nas votações do Congresso Nacional refletem estratégias distintas para suas respectivas reeleições e relacionamentos políticos diferenciados com o Palácio do Planalto. Enquanto Hugo Motta mantém uma aproximação com o governo Lula, permitindo aprovação de matérias de interesse do Executivo na Câmara, Davi Alcolumbre adota postura mais distante no Senado, criando um descompasso que compromete o andamento legislativo. Essa dinâmica entre Motta e Alcolumbre transcende simples questões administrativas, configurando um jogo político onde cada presidente busca fortalecer suas posições para os pleitos internos das respectivas casas legislativas.

Projetos travados no Senado por decisão de Alcolumbre

A PEC da Segurança Pública, aprovada pela Câmara em março, permanece parada no Senado sem despacho para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). O texto representava uma aposta do governo para melhorar a aprovação do presidente Luiz Inácio Lula junto ao eleitorado de centro-direita, grupo que aponta segurança como prioridade máxima. Alcolumbre não encaminhou o projeto, demonstrando sua disposição em controlar o ritmo legislativo conforme seus interesses políticos.

Da mesma forma, a PEC que reduz a jornada de trabalho sem diminuição salarial aguarda análise do Senado. Embora Alcolumbre garanta a interlocutores que a votação ocorrerá antes das eleições, ele não enviou a matéria para a CCJ e chegou a desmarcar reunião com Otto Alencar, presidente daquela comissão, para definição do relator. Aliados do presidente do Senado afirmam que a tramitação será ágil devido à boa relação de Otto Alencar com o governo, mas a falta de envio formal perpetua a paralisia.

Estratégias de reeleição como pano de fundo

Parlamentares admitem que o travamento de projetos está diretamente vinculado às disputas por reeleição de Motta e Alcolumbre. Segundo análises de congressistas, o presidente do Senado depende do apoio da bancada do PL para sua reeleição, enquanto Motta construiu sua estratégia apoiando-se no PT. Essa configuração determina quais projetos avançam e quais permanecem parados, transformando a agenda legislativa em moeda de troca política.

As festas de São João, Copa do Mundo e recesso parlamentar são mencionadas como desculpas oficiais para os atrasos, mas parlamentares deixam claro que a relação entre Alcolumbre e o Palácio do Planalto constitui o verdadeiro obstáculo. O presidente do Senado é apontado como responsável pela rejeição da indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal, uma das principais derrotas políticas de Lula neste mandato, criando um fosso que compromete a cooperação legislativa.

Relação abalada entre Motta e o governo

Embora Motta mantenha melhor relacionamento com o Planalto comparado a Alcolumbre, sua posição também sofreu pequenos desgastes. Um vídeo de Lula apoiando Veneziano Vital do Rêgo ao Senado gerou incômodo em Motta, que lutava pelo endosso presidencial ao seu pai, Nabor Wanderley, ex-prefeito de Patos. Parlamentares avaliam, porém, que esse episódio é ainda corrigível e não impactará significativamente o andamento de propostas de interesse do Executivo na Câmara.

Dinâmica de troca e retenção de projetos

Quando projetos de interesse do governo avançam na Câmara mas ficam travados no Senado, ocorre o inverso com matérias aprovadas por senadores contra os interesses do Executivo. Motta retém na Câmara o projeto de renegociação de dívidas rurais já aprovado pelo Senado, que o presidente da Câmara considera impagável. Em conversa com Alcolumbre, Motta afirmou não conhecer o texto e não se comprometeu em pautá-lo, demonstrando o jogo de xadrez político entre as duas casas.

Similarmente, o projeto sobre misoginia também travou na Câmara. Motta criou grupo de trabalho para discussão do texto, postergando a votação para depois das Festas Juninas. Essa manobra retaliatória indica que a relação entre Motta e Alcolumbre, embora próxima operacionalmente, funciona como um sistema de pesos e contrapesos onde cada decisão estratégica gera uma resposta equivalente.

Matérias a encaminhar antes do recesso

Motta anunciou intenção de enviar ao Senado três projetos antes do recesso: aumento do limite de faturamento do Microempreendedor Individual (MEI), proposta equiparando misoginia a crime de racismo, e Marco Legal da Inteligência Artificial (IA). Parlamentares avaliam que os dois primeiros devem ser discutidos e aprovados antes do recesso, enquanto a matéria sobre IA demanda mais debates entre os deputados antes do envio ao Senado.

Impacto da jornada eleitoral na legislação

A proximidade do período eleitoral promete intensificar ainda mais o travamento legislativo. O Congresso funcionará em regime remoto durante significativa parte do calendário eleitoral, permitindo que deputados e senadores permaneçam em suas bases realizando campanhas. Essa realidade institucional, combinada aos interesses políticos divergentes de Motta e Alcolumbre, sugere que projetos de importância para o governo enfrentarão ainda mais dificuldades para aprovação até o final do mandato.

Custos políticos das medidas em disputa

A PEC para renegociação de dívidas rurais, classificada como pauta bomba pelo governo, impactaria R$ 140 bilhões nos próximos 13 anos segundo estimativas do Ministério da Fazenda. Essa cifra explica a hesitação de Motta em avançar com a matéria, reconhecendo que pautas de socorro ao agronegócio precisam ter limites e que não é possível atender todas as demandas da bancada ruralista.

Motta e Alcolumbre mantêm comunicação regular, conversando praticamente diariamente, indicando que a tensão nas votações não compromete totalmente o relacionamento pessoal entre os dois. No entanto, essa proximidade operacional não impede que cada um persiga seus objetivos políticos particulares através do controle sobre a agenda legislativa, perpetuando o desalinhamento que marca o funcionamento atual do Congresso Nacional.

Mais notícias