Matheus Cunha: do alojamento do Coritiba ao gol na Copa do Mundo

A origem de Matheus Cunha no futebol paranaense
A história de Matheus Cunha Coritiba representa uma das trajetórias mais inspiradoras do futebol brasileiro contemporâneo. Nascido em João Pessoa, Paraíba, o atacante que hoje brilha pela Seleção Brasileira iniciou sua carreira profissional longe de sua terra natal, mudando-se aos 14 anos, em 2013, para integrar as categorias de base do clube paranaense. Antes dessa transferência significativa, Cunha desenvolveu seus primeiros passos futebolísticos em Recife, onde treinava no CT Barão.
O Coritiba ofereceu a infraestrutura necessária para que o jovem talento evoluísse tecnicamente, mas também proporcionou uma formação humana essencial. Como muitos atletas que chegam de outras regiões do país em busca de oportunidades, Matheus Cunha foi alocado no alojamento do clube, um espaço localizado sob as arquibancadas do Estádio Couto Pereira, especificamente destinado aos jogadores das categorias de base oriundos de cidades distantes.
Vida no alojamento do Couto Pereira
O alojamento do Coritiba no Couto Pereira é um espaço emblemático na história do clube, tendo abrigado diversos talentos que posteriormente alcançaram projeção nacional e internacional. Além de Matheus Cunha, outros atletas notáveis residiram naquele local durante suas formações nas categorias de base da instituição paranaense. O lateral-direito Rafinha e o ex-zagueiro Miranda também passaram pela experiência de viver naquele alojamento enquanto desenvolviam suas habilidades futebolísticas.
O ambiente, embora simples, funcionou como um catalisador importante para o desenvolvimento integral dos jovens jogadores. A convivência entre atletas de diferentes origens e idades criava um ecossistema competitivo que estimulava o aperfeiçoamento técnico e a maturidade pessoal necessária para as etapas subsequentes da carreira profissional.
O desenvolvimento físico e técnico sob orientação especializada
Quando Matheus Cunha chegou ao Coritiba, sua compleição física era notadamente frágil para o nível competitivo que enfrentaria. O técnico César Bueno, responsável pelo treinamento das categorias de base do Alviverde durante aquele período e atualmente no comando do Cascavel, recorda com clareza dos primeiros dias do atleta na instituição. Segundo Bueno, Cunha apresentava uma estrutura corporal delgada, tanto que os uniformes do clube ficavam visivelmente grandes em seu corpo.
A atuação inicial de Matheus Cunha era na posição de meia atacante, função que lhe permitia explorar suas qualidades técnicas e de movimentação. Contudo, era evidente que o jogador necessitava ganhar força e massa muscular para competir nos níveis superiores do futebol profissional. Durante os quatro anos que permaneceu nas categorias de base coritibana, Cunha experimentou uma transformação física considerável, trabalhando sistematicamente para desenvolver a musculatura e a potência necessárias para atuar como atacante de referência.
O apelido que marcou a base coritibana
A personalidade forte de Matheus Cunha chamou atenção desde os primeiros momentos em que chegou ao clube. César Bueno, reconhecendo o espírito vencedor e a determinação do jovem atleta, criou um apelido carinhoso que rapidamente se popularizou na base do Coritiba: "Paraíba". Essa alcunha surgiu de forma orgânica, quando o técnico percebeu que havia outro Matheus nas categorias de base e decidiu diferenciar seu pupilo de forma descontraída e afetuosa.
O apelido refletia não apenas a origem do jogador, mas também características que marcaram sua personalidade e seu desempenho em campo. Até os dias de hoje, César Bueno e Matheus Cunha mantêm contato, e o técnico continua utilizando essa denominação carinhosa quando se refere ao atleta que ajudou a formar nas categorias de base do Alviverde.
A saída para a Europa e o caminho até a Seleção
Apesar de passar quatro anos nas categorias de base do Coritiba, desenvolvendo-se física e tecnicamente, Matheus Cunha nunca chegou a atuar profissionalmente pelo clube paranaense. Aos 18 anos, foi vendido ao Sion, da Suíça, por R$ 700 mil, transferência que representou um investimento importante do Coritiba em sua própria estrutura. O montante arrecadado com essa venda foi aplicado na contratação do volante Matheus Galdezani, visando reforçar o elenco profissional.
De Sion, Cunha iniciou uma carreira europeia ascendente que o levaria a passar por alguns dos principais clubes do continente. Suas etapas posteriores incluíram RB Leipzig, Atlético de Madrid e Wolverhampton, antes de finalmente chegar ao Manchester United, na temporada mais recente. Cada clube representou um capítulo importante na evolução de um atleta que partiu do alojamento do Couto Pereira rumo às maiores competições do futebol mundial.
O reconhecimento e a emoção de César Bueno
Quando Matheus Cunha marcou seus primeiros gols pela Seleção Brasileira na Copa do Mundo, contra o Haiti, César Bueno vivenciou um momento de profunda emoção ao acompanhar a trajetória de seu ex-pupilo. O técnico destacou que reconhecia completamente o potencial do jogador desde seus primeiros dias no Coritiba, e que sua evolução era resultado do trabalho dedicado e da determinação pessoal.
Em declarações ao Globo Esporte, Bueno expressou sua satisfação ao ver Cunha conquistando objetivos tão significativos na carreira, reiterando que o jogador merecia todas as realizações que estava alcançando e que ainda teria muito a crescer no futebol internacional. O técnico também ressaltou a importância do atleta para a Seleção Brasileira durante a competição mundial, reconhecendo que a formação recebida no Coritiba havia contribuído significativamente para moldar o profissional que se tornaria posteriormente.