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Mateus Aleluia canta a nobreza espiritual em show solo no Rio

Mateus Aleluia canta a nobreza espiritual em show solo no Rio
Fonte: g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2026/07/11/mateus-aleluia-canta-a-nobreza-do-amor-em-transcendental-show-solo-no-rio.ghtml

A Experiência Transcendental de Mateus Aleluia no Palco Carioca

Mateus Aleluia protagonizou uma apresentação única de voz e violão no Teatro Nelson Rodrigues, na cidade do Rio de Janeiro, na noite de sábado, 11 de julho. O artista baiano de 82 anos trouxe ao palco toda a sua carga de ancestralidade e espiritualidade, consolidando sua presença como uma verdadeira entidade viva na cena musical brasileira. A apresentação, parte da turnê de Seu Mateus pela Caixa Cultural, marcou o retorno do cantor aos palcos cariocas após quatro anos de ausência em apresentações solo.

Um Retorno Significativo aos Palcos do Rio

Mateus Aleluia compareceu raramente em apresentações solo no Rio de Janeiro nos últimos anos. Descontando participações em festivais, sua última apresentação solo na cidade havia ocorrido em 2017. Esse retorno ganhou ainda mais relevância considerando que uma segunda apresentação agendada para domingo, 12 de julho, já teve seus ingressos completamente esgotados. O público carioca lotou o Teatro Nelson Rodrigues, demonstrando o fascínio e a admiração que cercam a carreira do integrante mais famoso do grupo Os Tincoãs.

O Contraste com Apresentações Anteriores

Recentemente, o artista realizou uma apresentação em Salvador, em novembro de 2025, na Concha Acústica do Teatro Castro Alves, onde contava com o apoio da Orquestra Afrosinfônica sob a regência do maestro Ubiratan Marques. Aquela apresentação baiana dividiu o cenário entre a orquestra e o artista, criando uma experiência musical ampla. No entanto, no palco do Teatro Nelson Rodrigues, Mateus Aleluia elegeu a simplicidade da intimidade: apenas sua voz grave e profunda, seu violão e a imensidão de sua alma permeando o espaço.

A Mensagem Espiritual Expressa em Cada Nota

Durante o show, Mateus Aleluia proferiu uma declaração que resumia sua filosofia artística: "O canto fala tudo o que sentimos sem contornos. É uma linguagem espiritual. Falamos de dentro". Essa afirmação ecoou entre o público como uma verdade universal, estabelecendo o tom contemplativo e transcendental da noite. O cantor carioca, ao revolver memórias afetivas de sua rica vivência na África e em sua cidade natal de Cachoeira, na Bahia, elevou a nobreza do amor a patamares que ultrapassam a compreensão meramente intelectual.

A Dimensão Sagrada do Canto

Comparável ao que Gilberto Gil uma vez descreveu como "Buda Nagô" ao se referir ao compositor Dorival Caymmi, Mateus Aleluia representa uma encarnação viva de divindade no palco. Sua voz profunda carrega consigo tanto a sabedoria ancestral quanto a capacidade de harmonizar o espírito dos ouvintes. Para compreender plenamente a dimensão do canto desse artista, é necessário crer em algo além do mundo físico, permitindo que a experiência sensorial transcenda os limites da percepção comum.

Um Repertório Carregado de Significado Espiritual

O setlist da apresentação abriu com "Homem! O animal que fala" (2009), uma composição que estabelecia o tom reflexivo da noite. O artista apresentou músicas como "Sonhos cor de criola" e "Filho de rei", ambas pertencentes ao álbum "Fogueira doce" (2020), demonstrando profundidade lírica e arranjos intimistas que realçavam a potência de sua interpretação vocal.

O Encerramento Significativo

A apresentação foi encerrada com "Fogueira doce", a faixa-título do álbum de 2020, oferecida sem bis. Essa obra contém o verso proclamado por Mateus Aleluia: "Eu vi Obatalá", composição de 2017 que carrega toda a carga mística e legitimidade de uma visão espiritual. O encerramento sem bisagem revelava a intenção artística de manter a integridade e a solenidade da experiência vivenciada.

Os Clássicos que Definiram uma Carreira

O maior sucesso do grupo Os Tincoãs, "Cordeiro de Nanã" (composto por Mateus Aleluia e Dadinho em 1977), ganhou nova dimensão quando apresentado naquele contexto solo. A música veio entremeada com um lamento em forma de fala, revelando como o canto do artista carrega também as dores do povo negro através dos séculos. No entanto, essas dores foram amenizadas pela sabedoria daqueles que encontraram paz de espírito e que extraem da música o alimento necessário para a alma.

A Energia Transmitida ao Público

Ao final do show, Mateus Aleluia agradeceu o público e revelou estar "abastecido". Essa afirmação continha uma ironia sutil: na verdade, era o artista quem havia abastecido a plateia com uma música capaz de alimentar a alma e de emanar boas vibrações. Quem foi capaz de se entregar inteiramente à experiência do show solo de Mateus Aleluia pôde experimentar uma transformação sutil, uma serenidade que transcende as limitações do tempo cotidiano para habitar o tempo sereno do artista.

O Legado Artístico de uma Entidade Viva

Mateus Aleluia representa mais do que um simples intérprete musical. Ele funciona como um portador de tradições ancestrais, um transmissor de espiritualidade através da música, um guardião de memórias africanas que encontram expressão na voz profunda e grave que marca sua assinatura artística. Suas apresentações transcendem entretenimento para se tornarem experiências transformadoras, momentos em que o público é convidado a desligar do relógio das urgências cotidianas e entrar no tempo sagrado da criação artística e espiritual.

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