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Kiko Dinucci lança Medusa com guitarras experimentais

Kiko Dinucci lança Medusa com guitarras experimentais
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Kiko Dinucci apresenta Medusa: O novo capítulo musical do artista paulistano

O álbum Medusa marca o retorno de Kiko Dinucci aos estúdios como solista, trazendo consigo uma abordagem radical na experimentação sonora. Lançado em 9 de setembro pela gravadora Risco, este terceiro trabalho solo do cantor, compositor e guitarrista paulistano consolida sua posição como figura essencial da cena indie de São Paulo no século XXI.

Com dez faixas de repertório inteiramente autoral, Medusa se destaca pela integração de guitarras, fitas e samplers que definem a estética audaciosa do projeto. Kiko Dinucci colaborou com diversos artistas durante a produção, contando com a direção artística de Juçara Marçal, personalidade recorrente nas criações do álbum.

A estrutura sonora de Medusa: Guitarras e ruídos em harmonia

O projeto apresenta uma mistura única de instrumentação, onde as guitarras experimentais convivem naturalmente com elementos ruidosos que remetem à tradição do noise rock. A abertura do disco acontece com "Cão perdido", uma faixa climática produzida em colaboração com o guitarrista Lello Bezerra, que estabelece o tom experimental que permeia toda a obra.

"Como foi?", a nona música do álbum, exemplifica a sofisticação melódica presente em Medusa. Composta por Dinucci em parceria com Romulo Fróes, a balada revela uma arquitetura melódica redonda que poderia remeter a grandes compositores brasileiros, mas que, na interpretação do artista paulistano, ganha camadas de ruídos na segunda metade, transformando-se em uma peça genuinamente experimental.

Parcerias estratégicas no terceiro disco solo

O álbum Medusa beneficia-se de colaborações expressivas com músicos da cena contemporânea. Juçara Marçal não apenas assina a direção artística, como integra o elenco vocal do projeto. Maria Beraldo participa como coautora de "Cascuda", uma gravação melancólica que utiliza sonoridades de ferragem para criar texturas sonoras inovadoras.

Romulo Fróes contribui com "Como foi?", enquanto Negro Leo compõe ao lado de Dinucci em "Claudia, Frota e eu", descrita como um samba em esquema noise que evoca atmosferas do debut solo "Cortes curtos" de 2017. Crystal Duarte da banda Vera Fisher Era Clubber integra a faixa "Loira Palmer", música de alto teor erótico que dialoga com universos surrealistas.

Referências e influências na produção de Medusa

A produção de Medusa recebeu contribuições da produtora carioca Podeserdesligado, artista ligada ao universo da música experimental. Junto com Gustavo Infante, ela formatou "Casca do olho", um samba que incorpora ecos de sound design industrial similar aos trabalhos da banda alemã Einstürzende Neubauten.

A influência de bandas como Sonic Youth permeia várias composições, enquanto referências surrealistas, particularmente do cineasta David Lynch, aparecem em temáticas e atmosferas criadas por Dinucci em diferentes faixas do projeto.

A narrativa urbana em torno de São Paulo

Uma das características distintivas de Medusa é sua relação profunda com a cidade de São Paulo. A faixa "Segundo eterno", criada para a trilha sonora da peça "Avenida Paulista" de 2025, dirigida por Felipe Hirsch, apresenta um samba em tom mais tradicional onde Dinucci aborda a urbanidade paulistana através da imagem de pessoas "correndo rumo à morte" nas calçadas da metrópole.

"Cão perdido" metaforiza a desorientação urbana, retratando um personagem que vaga pela selva da cidade sem destino e sem paz. Este imaginário recorrente em Medusa transforma São Paulo em protagonista silencioso, uma paisagem sonora onde guitarras experimentais e ruídos ecoam entre edificações e ruas.

A capa e a identidade visual de Medusa

A identidade visual de Medusa foi concebida pela artista plástica Tatiana Blass, criadora da capa que dialoga diretamente com a faixa "Faca da palavra". Esta escolha integra as artes visuais como componente essencial da experiência estética do álbum, criando uma correspondência entre som e imagem.

A trajetória solo de Kiko Dinucci

Medusa representa o terceiro lançamento solo de Kiko Dinucci após "Cortes curtos" (2017) e "Rastilho" (2020). O intervalo de quatro anos desde o último projeto permite que o artista amadureça suas ideias experimentais. Como cantor, compositor e guitarrista, Dinucci integra uma geração de nomes fundamentais da cena indie paulistana, ao lado de Rodrigo Campos, Romulo Fróes e Juçara Marçal, criadores de uma linguagem musical própria ao século XXI brasileiro.

Conclusão: Uma obra que redimensiona a experimentação no Brasil

O álbum Medusa consolida Kiko Dinucci como artista que transita com precisão entre a melancolia melódica e a radicalismos sonoro. Através de guitarras experimentais, parcerias estratégicas e uma narrativa profundamente urbana, o projeto oferece uma experiência musical que desafia convenções, mantendo coesão artística. Medusa é discos que cruza a selva de São Paulo com segurança, transformando ruídos em poesia e experimentação em expressão genuína.

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