Diretor é condenado por fraude de 11 milhões contra Netflix

Condenação do diretor por crime financeiro contra a Netflix
O cineasta Carl Rinsch recebeu uma sentença de 30 meses de prisão por ter cometido uma fraude Netflix envolvendo US$ 11 milhões (aproximadamente R$ 56,8 milhões na cotação atual). A decisão foi proferida por um tribunal nos Estados Unidos na segunda-feira, dia 29, após o júri declará-lo culpado em dezembro do ano anterior. A fraude Netflix perpetrada por Rinsch é considerada um dos maiores escândalos envolvendo produtoras de streaming e cineastas, revelando falhas significativas nos sistemas de fiscalização financeira.
Detido em março de 2025, Rinsch utilizou os recursos destinados ao término das gravações da série televisiva em atividades completamente divergentes do propósito original. Conforme informações da promotoria, o diretor desviou a quantia para investimentos em criptomoedas, aquisição de automóveis de luxo e outros gastos pessoais, caracterizando assim um desvio deliberado de fundos corporativos.
A série que nunca chegou aos telespectadores
O projeto original, intitulado "White Horse", tratava-se de uma série épica de ficção científica com gravações realizadas em múltiplos países, incluindo o Brasil. A produção contava com atores renomados em seu elenco, como o astro Keanu Reeves e a atriz brasileira Bruna Marquezine. O título foi posteriormente alterado para "Conquest" antes de seu cancelamento em 2023.
A Netflix determinou a interrupção do projeto após evidências comprovarem o comportamento errático do diretor e o desvio sistemático de recursos financeiros. De acordo com reportagem do jornal New York Times, o investimento total aportado na série ultrapassava US$ 55 milhões (equivalentes a R$ 284 milhões), transformando este em um dos maiores fracassos financeiros da plataforma de streaming.
Comportamento questionável e alegações extraordinárias
Documentos judiciais e depoimentos de membros da equipe de produção revelam que o comportamento de Rinsch se tornou progressivamente problemático logo após a assinatura do contrato com a Netflix. Correspondências eletrônicas e mensagens de texto analisadas pelo New York Times demonstram que o cineasta realizou afirmações controversas e desconectadas da realidade.
Entre as alegações feitas pelo diretor, constavam declarações de que teria descoberto um mecanismo secreto de transmissão do coronavírus e possuiria capacidade preditiva sobre fenômenos climáticos como raios. Estes comportamentos alarmaram tanto membros do elenco quanto profissionais da equipe técnica da produção.
Testemunho de Keanu Reeves e problemas de saúde mental
Keanu Reeves, que havia colaborado com Rinsch previamente no filme "47 Ronins" lançado em 2013, foi uma das personalidades que se manifestou perante o tribunal. O ator submeteu um testemunho escrito abordando questões relacionadas à saúde mental do diretor.
Na correspondência enviada ao juiz, Reeves relatou sua participação em uma iniciativa no ano de 2019 destinada a obter assistência profissional para Rinsch. "Participei de um esforço em 2019 para conseguir ajuda para Carl em uma intervenção e tratamento de saúde mental, o que Carl rejeitou", conforme reportado pela publicação Variety.
Cronograma de execução da pena e detalhes da produção
O magistrado responsável pelo caso estipulou que Rinsch deverá se apresentar à instituição penitenciária federal no primeiro dia de setembro para dar início ao cumprimento de sua sentença de 30 meses.
Quanto ao projeto "Conquest", as filmagens estavam planejadas para incluir locações em diversos países: Quênia, México, Romênia, Berlim, Hungria e Uruguai durante o ano de 2019. Rinsch iniciou as gravações em São Paulo, Brasil, porém rapidamente ultrapassou o orçamento estabelecido pela Netflix.
Apesar de ter se comprometido em entregar um total de sete episódios completos, o cineasta comunicou posteriormente à plataforma que conseguiria finalizar apenas um episódio com a verba fornecida. Esta discrepância entre as promessas iniciais e a capacidade de execução contribuiu significativamente para as investigações que culminaram na condenação pela fraude Netflix.



