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Chefe de gabinete Adorni deixa governo Milei

Chefe de gabinete Adorni deixa governo Milei
Fonte: g1.globo.com/mundo/noticia/2026/06/27/chefe-de-gabinete-de-milei-renuncia-apos-acusacao-de-enriquecimento-ilicito-e-ocultacao-de-patrimonio.ghtml

Renúncia de Manuel Adorni marca novo capítulo de crise no governo argentino

Manuel Adorni, que ocupava o cargo de chefe de gabinete na administração Milei, anunciou sua saída do governo neste sábado (27) em meio a uma investigação sobre suposto enriquecimento ilícito e ocultação de patrimônio. A chefe de gabinete Adorni renuncia após semanas de pressão da Justiça Federal argentina e da oposição, consolidando um dos maiores escândalos da gestão presidencial.

O próprio Adorni confirmou sua demissão através de uma carta publicada em suas redes sociais, dirigindo-se diretamente ao presidente Javier Milei. Na mensagem, o ex-funcionário expressou gratidão pela oportunidade de servir no governo, destacando que esta era a primeira vez que se contrapunha aos desejos do presidente desde o início da administração em dezembro de 2023.

Os antecedentes do escândalo financeiro

O porta-voz presidencial havia se visto envolvido em controvérsias após admitir publicamente ter ocultado 500 mil dólares (aproximadamente R$ 2,6 milhões) em suas declarações de bens. Segundo Adorni, tratava-se de economias não declaradas resultantes de investimentos em criptomoedas realizados entre 2014 e 2018, período anterior a sua entrada na administração pública.

No entanto, esta explicação gerou inconsistências significativas com declarações anteriores que o próprio Adorni havia feito ao Congresso argentino. Em abril deste ano, durante audiência parlamentar, o chefe de gabinete afirmou categoricamente aos legisladores que "nunca houve ocultação alguma" de seu patrimônio, uma afirmação que posteriormente se revelou imprecisa.

Investigação ampla e complexa

A Justiça Federal argentina conduz investigação abrangente que vai além da questão das criptomoedas não declaradas. Os inquéritos também envolvem denúncias relacionadas à compra e reforma de imóveis, operações que envolveram centenas de milhares de dólares e que se tornaram objeto de escrutínio judicial rigoroso.

O caso se desenrola em uma série contínua de revelações e novos desenvolvimentos, com cada semana trazendo informações adicionais que alimentam o debate público e a investigação formal. A complexidade e o escopo das acusações transformaram este episódio em um dos principais desafios enfrentados pela administração Milei desde sua posse.

Apoio presidencial até o último momento

Apesar das pressões crescentes, o presidente Javier Milei manteve apoio a Adorni durante semanas, demonstrando confiança persistente no seu colaborador mais próximo. Apenas na sexta-feira anterior à sua renúncia (26), durante uma visita oficial à Espanha, Milei afirmou que só consideraria a demissão de Adorni caso a Justiça o declarasse culpado de corrupção.

Esta postura defensiva do presidente começou a mudar quando se tornou evidente que a permanência do chefe de gabinete continuaria gerando controvérsias e enfraquecendo a imagem da administração governamental. A pressão combinada da Justiça, da mídia e da oposição política finalmente resultou na aceitação da renúncia que Adorni vinha oferecendo.

Trajetória no governo argentino

Manuel Adorni, com 46 anos de idade, iniciou sua atuação na administração Milei como porta-voz presidencial em 2023, cargo que exerceu até sua promoção. Em novembro do ano anterior, foi designado para a posição de chefe de gabinete, consolidando seu status como uma das figuras mais influentes e próximas ao presidente argentino.

Sua saída representa uma perda significativa para a estrutura administrativa de Milei, dado seu papel central nas operações do governo e sua visibilidade pública como porta-voz oficial. A partida de Adorni deixa em aberto questões sobre como o governo argentino prosseguirá em meio a este escândalo e quem assumirá suas responsabilidades administrativas cruciais.

Repercussão política e institucional

A renúncia se inscreve em um contexto de desafios mais amplos enfrentados pela administração Milei, incluindo pressões econômicas e políticas. Este incidente demonstra como investigações judiciais podem impactar significativamente a estrutura de poder e as dinâmicas internas dos governos, mesmo quando há apoio inicial das lideranças máximas.

A carta de despedida de Adorni, repleta de referências ao seu relacionamento com Milei e expressões de gratidão, procurou preservar sua dignidade pessoal enquanto reconhecia a inevitabilidade de sua saída. Este tom conciliador contrasta com a tensão política que marcou as últimas semanas de sua permanência no cargo.

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