Jornal 24/7
Política

Checagem: Afirmações de Romeu Zema no g1

Checagem: Afirmações de Romeu Zema no g1
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Entrevista com Romeu Zema: Verificação de Afirmações

O candidato à Presidência da República pelo partido Novo, Romeu Zema, participou de uma entrevista no g1 e na GloboNews nesta quinta-feira. A checagem de fatos realizada pelo programa Fato ou Fake analisou as principais declarações feitas durante o diálogo com as jornalistas Andréia Sadi e Natuza Nery. Este material apresenta os resultados dessa verificação minuciosa.

Estrutura das Entrevistas Presidenciais

O encontro foi conduzido nos novos estúdios da GloboNews, localizado no Rio de Janeiro, como parte de uma série de entrevistas com presidenciáveis. Foram convidados os cinco primeiros colocados na pesquisa Datafolha divulgada em 24 de julho. Um sorteio realizado em 27 de julho, com representantes das campanhas, determinou a sequência das apresentações.

A ordem das entrevistas foi estabelecida da seguinte forma: terça-feira abriu com Lula do PT, porém sua assessoria informou não comparecimento; quarta-feira contou com Renan Santos da Missão; quinta-feira com Romeu Zema do Novo; sexta-feira com Ronaldo Caiado do PSD; e segunda-feira com Flávio Bolsonaro do PL.

Declaração Sobre Escândalos e Corrupção

Romeu Zema afirmou: "Eu, como governador, fiz um governo de sete anos e meio sem nenhum escândalo, sem nenhuma corrupção." Esta declaração foi classificada como #FAKE pela equipe de checagem.

A investigação revelou que em 2025, a Operação Rejeito, deflagrada pela Polícia Federal, expôs um esquema bilionário de corrupção na mineração em Minas Gerais que atingiu diretamente o alto escalão do governo Zema. Pelo menos quatro dirigentes de órgãos ambientais e patrimônio foram exonerados ou afastados após serem citados nas investigações.

O inquérito identificou um grupo criminoso formado por empresários, delegados e políticos que subornava servidores públicos para obter licenças ambientais. Essas licenças permitiam exploração e manuseio de minério de ferro em diferentes regiões, algumas próximas de unidades de preservação ambiental. Funcionários da Fundação Estadual do Meio Ambiente e da Secretaria de Estado de Meio Ambiente foram alvo do esquema.

Situação Fiscal de Minas Gerais

A afirmação sobre transformação orçamentária foi verificada como #FATO. Zema declarou: "Como você disse muito bem, em Minas Gerais, nós saímos de um déficit para um superávit, o que era negativo em 2018, menos R$ 11 bilhões, em 2024 se transformou em R$ 5 bilhões positivos."

Segundo o Balanço Geral do Estado divulgado no final de 2018 pela Secretaria de Estado da Fazenda, o déficit orçamentário foi de aproximadamente R$ 11,4 bilhões. Em 2024, o resultado registrou saldo positivo de R$ 5,1 bilhões, impulsionado por receitas extraordinárias dos acordos de Mariana e Brumadinho. Porém, ao fim de 2025, a pasta apontou superávit de R$ 1,1 bilhão, com projeção de retorno a déficit de R$ 5 bilhões para fim de 2026.

Banco Master e Envolvimento de Entidades Privadas

Sobre o Banco Master, Zema afirmou que apenas entes públicos como BRB e fundos de pensões públicos estiveram envolvidos. Esta afirmação recebeu classificação #NÃOÉBEMASSIM da equipe de verificação.

Embora investigações não mencionem bancos privados ou fundos de pensão privados no esquema, empresas privadas aparecem nas apurações. A Reag Investimentos teve fundos que teriam sido utilizados para inflar patrimônio do Banco Master e ocultar participação acionária. João Carlos Mansur, fundador da Reag, é investigado por operações envolvendo fundos.

A produtora Go UP Entertainment também aparece no caso, responsável pelo filme "Dark horse" sobre ex-presidente Jair Bolsonaro. Mensagens reveladas pelo Intercept Brasil mostram Flávio Bolsonaro pedindo dinheiro a Vorcaro para financiar a produção, com compromisso de R$ 134 milhões e desembolso de aproximadamente R$ 61 milhões.

Herança Administrativa Anterior

Zema declarou sobre a gestão anterior: "Quando eu assumi em 2019, 1º de janeiro, eu assumi um estado que era uma verdadeira massa falida. 240.000 servidores públicos com nome sujo no SPC e Serasa." Esta afirmação foi classificada como #FATO.

A Polícia Civil de Minas Gerais indiciou o ex-governador Fernando Pimentel em maio de 2020 por crime de peculato em suposto desvio de R$ 855 milhões de recursos de empréstimos consignados de servidores estaduais. As investigações apontaram que o governo retinha dinheiro devido a instituições financeiras privadas para pagamento de despesas do estado. Cerca de 260 mil servidores foram afetados, com nomes inscritos em cadastros de inadimplentes.

Investigações em Membros do Partido Novo

Zema afirmou: "Eu não tenho ninguém do meu partido sendo investigado." Esta declaração foi classificada como #FAKE pela equipe.

Em 30 de abril, o deputado estadual Elizeu Nascimento, do Novo de Mato Grosso, foi alvo de busca na Operação Emenda Oculta. Foram apreendidos R$ 150 mil em sua residência e R$ 50 mil no imóvel de seu irmão, totalizando R$ 200 mil. A Justiça autorizou quebra de sigilos bancário e fiscal.

Além disso, o ex-ministro Ricardo Salles, também do Novo e candidato ao Senado por São Paulo, responde no Supremo Tribunal Federal à Ação Penal 2.705 sobre suposto esquema de facilitação ao contrabando de produtos florestais. O caso segue aberto na Corte sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.

Geração de Empregos em Minas Gerais

A declaração sobre criação de empregos foi verificada como #FATO. Zema afirmou ter criado mais de 1 milhão de empregos durante sua gestão. Em 2018, a taxa de desemprego em Minas Gerais foi de 10,8% segundo a Pnad Contínua do IBGE. No primeiro trimestre de 2026, a taxa de desocupação ficou em 5%, representando queda de 5,7 pontos percentuais.

O Censo de 2022 do IBGE apontou que Minas Gerais tem 16.627.121 pessoas com 15 anos ou mais. A taxa de 5,7% desse montante representaria 947.745 pessoas, aproximando-se do número citado pelo governador.

Segurança de Barragens em Minas

Sobre segurança de barragens, Zema afirmou que 18 estruturas foram descomissionadas. Esta informação foi classificada como #NÃOÉBEMASSIM. A barragem B-I rompeu em 25 de janeiro de 2019, primeiro mês da gestão. Em 25 de fevereiro foi sancionada a Lei nº 23.291, conhecida como Mar de Lama Nunca Mais.

Contudo, parte das normas de segurança contida na nova Lei já existia antes de Brumadinho. A Política Nacional de Segurança de Barragens foi criada em 2010, e Minas Gerais já realizava programa estadual de gestão e fiscalização antes de 2019. O número de 18 barragens está desatualizado. De acordo com painel do Ministério Público de Minas Gerais de julho de 2026, 23 estruturas foram descaracterizadas e 30 seguem em processo.

Processo Envolvendo Gilmar Mendes

Sobre responder processo de Gilmar Mendes, a declaração foi verificada como #FATO. Zema é alvo de processo classificado como crime de calúnia que tramita em segredo de justiça no Superior Tribunal de Justiça. O candidato foi intimado pela Justiça Federal em 1º de junho.

O caso refere-se a vídeo postado no Instagram em 5 de março, onde Gilmar Mendes e Dias Toffoli foram retratados de forma irônica por fantoches em conteúdo sobre Banco Master. Em 20 de abril, Gilmar Mendes pediu inclusão de Zema no inquérito das Fake News, mas em 15 de maio o procurador-geral da República repassou o caso ao STJ.

População em Áreas Controladas por Facções

Zema declarou: "60 milhões de brasileiros não moram no Brasil, moram em áreas controladas pelo PCC, pelo Comando Vermelho." Esta afirmação foi classificada como #FATO pela equipe.

Pesquisa contratada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública junto ao Datafolha publicada em maio estimou que 68 milhões de brasileiros percebem presença de grupos criminosos envolvidos com tráfico de drogas ou milícias no bairro de moradia, equivalente a 41% da população.

O estudo "Governança criminal na América Latina: prevalência e correlações", realizado pela universidade britânica Cambridge publicado em agosto, apontou que entre 50,6 milhões e 61,6 milhões de pessoas vivem em locais com regras impostas por facções criminosas, corroborando a afirmação do candidato.

Liderança Feminina nas Polícias de Minas

Zema afirmou: "Hoje, lá em Minas, a coronel do Corpo de Bombeiros, a coronel da Polícia Militar e a delegada geral da Polícia Civil são mulheres. Nenhum outro estado do Brasil tem isso hoje." Esta declaração foi verificada como #FATO.

Os cargos de comando das instituições são ocupados respectivamente pela coronel Jordana de Oliveira Filgueiras Daldegan, coronel Cleide Barcelos dos Reis Rodrigues e delegada-geral Letícia Baptista Gamboge Reis. A equipe consultou comandos de cada uma delas em todos os 26 estados e Distrito Federal, confirmando que nenhum outro ente federativo tem mulheres ocupando esses três cargos simultaneamente.

Multas Ambientais e Acordos de Reparação

Sobre a maior multa ambiental da história, a afirmação foi classificada como #NÃOÉBEMASSIM. Zema afirmou que aplicou a maior multa ambiental quando houve Brumadinho, comparando-a com Mariana.

A Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Social aplicou à Samarco em 18 de novembro de 2015 multa de R$ 112 milhões. Posteriormente, foram lavrados 31 autos de infração, dos quais cinco foram anulados após recursos. Entre os válidos havia multa atualizada de R$ 127,6 milhões e outra de R$ 180 milhões por mortandade de peixes.

Em janeiro de 2019, valores devidos somavam R$ 264 milhões. O Ibama aplicou cinco multas totalizando R$ 250 milhões poucos dias após rompimento. A multa inicial de Brumadinho não superou a primeira multa estadual de Mariana. Após Brumadinho, a Semad aplicou multa de aproximadamente R$ 99 milhões à Vale, e Ibama aplicou R$ 250 milhões.

O candidato citou R$ 37 bilhões como "maior multa da história", mas esse montante refere-se ao valor global do Acordo Judicial de Reparação de Brumadinho, não a uma multa. O acordo foi assinado em 4 de fevereiro de 2021 pela Vale com múltiplas instituições, sendo diferente de afirmar que se trata da maior multa ambiental da história. Aspectos de Brumadinho serviram de parâmetro para repactuação de Mariana em 2024 por R$ 170 bilhões.

Conclusão da Verificação

A equipe do Fato ou Fake realizou análise completa das principais declarações de Romeu Zema durante a entrevista. Os resultados mostram um equilíbrio entre afirmações verificadas como fatos, aquelas classificadas como fake e declarações que receberam a classificação #NÃOÉBEMASSIM, indicando que parte da afirmação é verdadeira mas contexto ou números precisam de esclarecimento.

Mais notícias