ANPD monitora 18 sites pornôs para garantir proteção de menores

ANPD inicia fiscalização sobre verificação de idade em sites pornôs
A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) anunciou nesta sexta-feira (19) o início de uma operação de monitoramento sobre verificação de idade em sites pornôs e plataformas de acompanhantes. A ação busca assegurar que essas plataformas estejam implementando mecanismos eficazes para impedir o acesso de crianças e adolescentes ao conteúdo inapropriado.
A fiscalização abrange 18 sites que concentram aproximadamente 98% do tráfego online brasileiro desse segmento. A medida representa um passo significativo na execução do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital), legislação que entrou em vigor em setembro de 2025 e estabelece obrigações rigorosas para plataformas com conteúdo vedado a menores de 18 anos.
Novo marco legal e exigências de proteção
O ECA Digital impõe responsabilidades específicas a empresas de internet que oferecem conteúdo adulto. A legislação proíbe expressamente a prática de autodeclaração de idade, eliminando assim a possibilidade de jovens contornarem bloqueios ao simplesmente clicar em botões de confirmação genéricos como "Sim, tenho mais de 18 anos".
Essa abordagem representa um avanço em relação às práticas anteriores e se alinha com modelos adotados internacionalmente. O Reino Unido, por exemplo, implementou requisitos similares de verificação de idade, o que resultou em redução considerável na audiência de alguns desses sites.
Os mecanismos de proteção devem ser robustos e tecnicamente sofisticados, impedindo fraudes e manipulações. A agência reguladora estabeleceu parâmetros mínimos que as plataformas precisam atender para demonstrar conformidade com a legislação vigente.
Prazos e procedimentos de fiscalização
As plataformas acionadas pela ANPD receberam notificação formal com prazo de 10 dias úteis para apresentar respostas detalhadas. No período estabelecido, cada empresa deve informar quais medidas foram implementadas para verificar a idade de seus usuários e como essas metodologias se adequam aos requisitos mínimos definidos pela agência.
Além disso, as empresas devem apresentar documentação sobre os mecanismos de proteção aplicados nos casos em que não é possível confirmar com precisão a idade dos usuários. Essa informação é crucial para a ANPD avaliar a efetividade das soluções propostas.
Consequências pela não conformidade
O não cumprimento das exigências da ANPD resulta em procedimentos administrativos formais. As sanções podem incluir advertência, aplicação de multas significativas e, em casos mais graves, bloqueio das plataformas no território brasileiro.
Essa estrutura de penalidades visa estimular o cumprimento voluntário das normas. As empresas têm incentivo claro para se adequarem rapidamente aos requisitos estabelecidos, evitando processos administrativos demorados e custosos.
Situação anterior e expectativas
Em março, após a entrada em vigência do ECA Digital, levantamentos indicaram que muitos sites pornôs não apresentavam mudanças visíveis em seus mecanismos de acesso. Naquela ocasião, ainda aceitavam autodeclaração de idade de usuários, contrariando os princípios da nova legislação.
Especialistas consultados na época apontaram que o período representava uma fase de transição. A ausência de regulamentação específica da ANPD sobre como implementar a verificação de idade gerava incerteza sobre os procedimentos adequados.
Com a publicação das diretrizes da agência, essa lacuna foi preenchida. Agora as empresas possuem orientações claras sobre quais padrões devem atender, eliminando desculpas sobre interpretação ambígua das normas.
Lista de sites monitorados
A ANPD notificou formalmente os seguintes 18 domínios para apresentarem comprovação de adequação: Xvideos.com, Xvideos.red, Onlyfans.com, Pornhub.com, Xhamster.com, Xnxx.com, Fatalmodel.com, Socialmediagirls.com, Sambaporno.com, Animeshentai.biz, Hentaistube.com, Privacy.com.br, Thehentai.net, Photoacompanhantes.com, Cameraprive.com, Hiper.cool, Shokka.com e Thisvid.com.
Essa seleção foi baseada em análise de dados de tráfego e identificação das plataformas com maior relevância no contexto brasileiro, abrangendo não apenas sites de conteúdo pornográfico genérico, mas também plataformas especializadas e serviços de acompanhantes.
Implicações futuras da ação regulatória
A iniciativa da ANPD sinaliza comprometimento institucional com a proteção efetiva de menores de idade no ambiente digital. A fiscalização não se limitará a uma avaliação única, mas estabelece um precedente de monitoramento contínuo sobre verificação de idade em sites pornôs.
Outras jurisdições observarão os resultados desta operação. Dependendo dos resultados, outros países podem se inspirar no modelo brasileiro para fortalecer suas próprias regulamentações. O Brasil emerge assim como referência em proteção digital de crianças e adolescentes na América Latina.



