Aliado de Trump divulga montagem de IA com Moraes e tornozeleira

Publicação polêmica de Jason Miller com imagem de IA
Na noite de domingo (13), Jason Miller, ex-assessor e aliado próximo do presidente dos Estados Unidos Donald Trump, compartilhou nas redes sociais uma imagem gerada por inteligência artificial que retrata o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), utilizando uma tornozeleira eletrônica. A postagem reacendeu tensões diplomáticas entre os dois países e trouxe novamente à tona a figura do ministro em contexto de crise institucional.
A montagem publicada por Jason Miller apresenta Moraes sentado em uma escadaria que reproduz a fachada do prédio do STF, equipado com a mencionada tornozeleira. Segundo o ex-assessor, a imagem foi compartilhada em contexto de uma reportagem do jornal Financial Times que aborda a situação delicada enfrentada pela instituição brasileira.
Contexto da publicação e reportagem internacional
Miller acompanhou a imagem de IA com um trecho de matéria publicada pelo Financial Times, na qual se afirma que o escândalo envolvendo o Banco Master mergulhou o tribunal em uma crise de proporções inéditas. Conforme citado na publicação do ex-assessor: "Essa revelação fez de Moraes um dos principais focos do crescente escândalo de corrupção provocado pelo colapso, no ano passado, do Banco Master, uma instituição financeira de US$ 10 bilhões".
A atitude de Jason Miller segue um padrão de comportamento já observado anteriormente. O ex-braço direito de Trump tem utilizado suas contas em redes sociais para criticar autoridades brasileiras, particularmente o ministro Moraes, em diversas oportunidades ao longo do ano passado.
Histórico de críticas de Miller a autoridades brasileiras
O histórico do ex-assessor inclui declarações controversas sobre lideranças políticas do Brasil. Em agosto de 2025, Miller afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) possuía um cérebro de "banana amassada", estabelecendo ainda comparações com o ex-presidente norte-americano Joe Biden. Tais comentários ilustram o tom agressivo que marca as intervenções de Miller nas questões domésticas brasileiras.
Importante ressaltar que Miller mantém posição de destaque no círculo próximo a Trump. Durante o primeiro mandato presidencial nos Estados Unidos, ele atuou como um dos principais assessores, e posteriormente integrou a equipe de transição após a vitória nas eleições mais recentes, preservando seu relacionamento de proximidade com o presidente americano.
Incidentes anteriores envolvendo Miller e autoridades brasileiras
A trajetória de Jason Miller em relação ao Brasil inclui episódios marcantes. Em 2021, após uma viagem a Brasília durante a qual visitou o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), Miller foi conduzido por agentes da Polícia Federal à sala dessa instituição no Aeroporto Internacional de Brasília. Na ocasião, o norte-americano foi ouvido no contexto do Inquérito das Fake News, procedimento que estava sob condução do então ministro Alexandre de Moraes.
A crise institucional no Supremo Tribunal Federal
O episódio compartilhado por Miller vincula-se diretamente à crise profunda que abala o STF desde o início de setembro. A situação intensificou-se quando o ministro André Mendonça determinou a retirada do sigilo de um relatório produzido pela Polícia Federal no contexto das investigações sobre o Banco Master.
O documento revelado continha mensagens e registros de contatos estabelecidos entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. Esse achado desencadeou questionamentos significativos sobre possíveis conflitos de interesse dentro da instituição.
Revelações sobre o Banco Master e seus desdobramentos
As apurações relacionadas ao Banco Master trouxeram à superfície não apenas as relações entre Vorcaro e Moraes, mas também conexões do ex-banqueiro com outros integrantes da Corte. Adicionalmente, identificaram-se negócios envolvendo familiares de ministros, ampliando substancialmente as preocupações acerca de conflitos de interesse potenciais.
A divulgação do material provocou confronto público dentro do tribunal. Moraes reagiu à exposição requerendo investigação formal contra Mendonça por alegado abuso de autoridade. Essa ação marcou o início de um período de crescente tensão institucional.
Escalada de conflitos entre ministros
A crise aprofundou-se através de decisões conflitantes emanadas por diferentes ministros. Um dos pontos centrais de disputa envolveu o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, determinado por Mendonça, seguido pela sua posterior reintegração mediante decisão de Flávio Dino. Essa sequência de medidas contraditórias expôs fissuras significativas na unidade da instituição.
Diante da intensificação do conflito, o presidente do STF, Luiz Fux (posteriormente referido como Fachin no contexto das decisões posteriores), cancelou sessões plenárias para evitar encontros públicos entre os ministros no pico da crise institucional.
Medidas centralizadoras do presidente do tribunal
Frente à escalada de tensões, a presidência do STF passou a centralizar as decisões relacionadas à crise. Foram suspensas medidas conflitantes provenientes de colegas ministros, mantendo-se Andrei Rodrigues na liderança da Polícia Federal. Adicionalmente, Moraes foi removido da relatoria do inquérito das fake news.
Determinou-se ainda que eventuais procedimentos envolvendo investigações contra ministros da Corte sejam obrigatoriamente submetidos à apreciação prévia da Presidência do tribunal, estabelecendo assim um mecanismo de controle centralizado.
Próximos passos e sessões programadas
A presidência do STF agendou para terça-feira (15) uma sessão plenária destinada à análise do relatório da Polícia Federal que documenta a relação entre Moraes e Vorcaro, bem como ao pedido da Procuradoria-Geral da República para sua anulação. Uma sessão adicional para examinar a conduta de Mendonça foi programada para 23 de setembro, indicando que a crise deverá permanecer como tema central das atividades institucionais nos próximos dias.



