Durante o Olhar Espacial, evento realizado pela Sociedade Astronômica Brasileira, a pós-doutora Cecília Chirenti compartilhou com entusiasmo a descoberta da maior fusão de buracos negros já captada pelos cientistas. Essa descoberta é um marco importante na astronomia e nos ajuda a entender melhor o universo e suas complexidades.
A detecção desse sinal foi possível graças ao Observatório de Ondas Gravitacionais por Interferometria Laser (LIGO, na sigla em inglês), que é composto por dois detectores localizados nos Estados Unidos. Esses detectores são capazes de medir as ondas gravitacionais, que são distorções no espaço-tempo causadas por eventos cósmicos extremamente poderosos, como a fusão de buracos negros.
O sinal detectado pelos cientistas foi gerado pela fusão de dois buracos negros, um com 85 vezes a massa do Sol e outro com 66 vezes a massa do Sol. Essa fusão resultou em um buraco negro ainda maior, com 142 vezes a massa do Sol. Esses números impressionantes mostram a magnitude desse evento cósmico e o quão importante é para a ciência.
Mas como os cientistas conseguiram detectar esse sinal? A resposta está na tecnologia avançada do LIGO. Os detectores são compostos por dois túneis de 4 km de comprimento, nos quais feixes de laser são enviados e refletidos por espelhos. Quando uma onda gravitacional passa pelo detector, ela causa uma pequena alteração na distância entre os espelhos, que é medida pelos cientistas. Essa alteração é tão pequena que é comparada a uma mudança na distância entre a Terra e a estrela mais próxima, que é de cerca de 4 anos-luz.
Além disso, o LIGO é capaz de medir as ondas gravitacionais em diferentes frequências, o que permite aos cientistas identificar a origem do sinal. No caso da fusão de buracos negros, o sinal foi detectado na frequência de 35 Hz, o que indica que a fusão ocorreu a cerca de 8 bilhões de anos-luz da Terra.
Essa descoberta é importante por vários motivos. Primeiramente, ela confirma a teoria da relatividade geral de Einstein, que prevê a existência das ondas gravitacionais. Além disso, ela nos ajuda a entender melhor a formação e evolução dos buracos negros, que são objetos cósmicos extremamente misteriosos e fascinantes.
Outro aspecto interessante dessa descoberta é que ela nos permite estudar o universo de uma forma diferente. Até então, a maioria das informações que tínhamos sobre o universo vinha da luz visível e de outras formas de radiação eletromagnética. Com a detecção das ondas gravitacionais, podemos obter informações sobre eventos cósmicos que não emitem luz, como a fusão de buracos negros.
Além disso, essa descoberta também nos ajuda a entender melhor a expansão do universo. Ao medir a distância entre a Terra e a fonte do sinal, os cientistas puderam calcular a taxa de expansão do universo, que é uma das questões mais intrigantes da astronomia.
Mas essa não é a primeira vez que o LIGO detecta ondas gravitacionais. Em 2015, os cientistas anunciaram a primeira detecção dessas ondas, geradas pela fusão de dois buracos negros menores. Desde então, o LIGO já detectou outras fusões de buracos negros e também de estrelas de nêutrons, que são objetos extremamente densos formados após a explosão de uma estrela.
Com essas descobertas, a astronomia entra em uma nova era, na qual podemos explorar o universo de uma forma mais ampl




