Um objeto incomum e provocante tem chamado a atenção dos visitantes do Rijksmuseum, em Amsterdã, desde terça-feira. Trata-se de um preservativo datado de aproximadamente 1830, decorado com uma gravura erótica que retrata uma freira e três clérigos em poses sugestivas.
A primeira vista, esse objeto pode causar estranheza e despertar curiosidade sobre sua origem e significado. Porém, ao conhecermos a história por trás dessa relíquia, podemos compreender sua importância e relevância não só no contexto histórico, mas também nos dias atuais.
Essa peça é considerada um preservativo raro, já que poucos foram encontrados em bom estado de conservação. Segundo os historiadores, sua produção era limitada, pois na época, a maioria dos métodos contraceptivos eram proibidos pela Igreja Católica. A gravura erótica presente no preservativo também não era comum, já que a maioria dos objetos dessa época possuía decorações mais discretas, como flores e arabescos.
A escolha da imagem de uma freira e três clérigos é bastante significativa. Na sociedade de 1830, a religião tinha um papel central e a Igreja Católica era uma das principais instituições. Porém, essa gravura desafia os padrões morais e religiosos da época ao retratar figuras sagradas em uma cena erótica. Essa ousadia certamente causava choque e indignação, mas também representava uma crítica aos tabus e hipocrisias vigentes.
Além disso, essa gravura também pode ser vista como uma forma de protesto contra a opressão e submissão feminina. A figura da freira é conhecida por sua abnegação e castidade, mas na obra, ela aparece em uma posição de poder e sedução, ao lado de três clérigos que deveriam ser seus superiores. Essa representação certamente desafiava a ideia de que as mulheres não tinham autonomia e eram vistas apenas como objetos de desejo masculino.
Apesar de todas essas possíveis interpretações, é importante lembrar que esse preservativo era, antes de tudo, um objeto prático. Sua função era evitar a gravidez indesejada e, consequentemente, proteger a saúde e a vida das mulheres. Ainda hoje, a contracepção é um tema carregado de debates e polêmicas, mas a existência desse preservativo nos mostra que, mesmo em uma época de repressão e proibições, as pessoas buscavam formas de controlar sua própria vida e sexualidade.
A descoberta desse preservativo também nos ajuda a compreender a evolução dos métodos contraceptivos ao longo da história. Se no século XIX a opção era um objeto de látex decorado com uma gravura erótica, atualmente, temos uma variedade de métodos contraceptivos disponíveis, que vão desde pílulas hormonais até o DIU. Essa evolução é fruto de lutas e conquistas das mulheres por seus direitos reprodutivos e sexuais.
Hoje, essa peça está em exposição no Rijksmuseum, em Amsterdã, como parte de uma mostra dedicada a objetos eróticos e tabus sexuais ao longo da história. Essa exposição é uma oportunidade para refletirmos sobre as mudanças e permanências nas discussões sobre sexualidade e gênero. Além disso, é uma forma de homenagear todas as pessoas que, mesmo em tempos difíceis, lutaram por suas liberdades e enfrentaram a repressão.
Em um mundo em que ainda existem restrições e censuras em relação ao corpo e a sexualidade, essa exposição e a presença desse preservativo raro no museu nos convidam




