O combate à corrupção é, sem dúvida, um dos maiores desafios enfrentados por países ao redor do mundo. E em Portugal, não é diferente. Apesar do reforço dos meios e do trabalho apresentado, o investigador Tiago Rosa Gaspar defende, em entrevista à Renascença, que o combate ao fenómeno ainda não está sendo eficaz no país.
Autor do livro “Decifrar a Corrupção”, Tiago Rosa Gaspar é um dos principais especialistas no assunto em Portugal. Em sua obra, ele apresenta uma análise aprofundada sobre a corrupção no país e suas formas de manifestação. Durante a entrevista, o investigador não poupou críticas à forma como a corrupção vem sendo combatida em Portugal.
Segundo ele, apesar dos esforços e do reforço dos meios, a abordagem utilizada ainda não é a mais eficaz. O foco, de acordo com Tiago Rosa Gaspar, deve ser no aprimoramento das medidas de prevenção e na criação de um sistema de fiscalização mais eficiente. “É preciso impedir que a corrupção aconteça, em vez de apenas tentar punir os culpados depois”, afirmou o autor.
Outro ponto abordado pelo investigador na entrevista foi a falta de medidas concretas para prevenir a corrupção. Ele ressaltou que, apesar das intenções e dos discursos políticos, ações efetivas ainda não foram tomadas. “É preciso sair do campo da retórica e colocar em prática mecanismos de prevenção, como a criação de uma cultura de transparência e o fortalecimento dos órgãos de controle”, defendeu.
Tiago Rosa Gaspar também ressaltou que, além das medidas de prevenção, é importante garantir que os casos de corrupção sejam efetivamente investigados e punidos. No entanto, ele ressalta que o processo deve ser célere e eficaz, evitando a morosidade e a impunidade que muitas vezes ocorrem nos julgamentos.
Outro fator apontado pelo investigador como fundamental para o combate à corrupção é a educação. Ele argumenta que é preciso conscientizar a população desde cedo sobre a importância da ética e da honestidade, além de promover uma cultura de cidadania e responsabilidade. “A corrupção é um fenômeno social que só pode ser combatido com a participação de todos, e isso se inicia com a educação”, enfatizou.
Diante do cenário atual, Tiago Rosa Gaspar acredita que é preciso uma mudança de abordagem no combate à corrupção em Portugal. Ações concretas e eficazes devem ser tomadas para tornar o país mais transparente e ético, tanto no setor público quanto no privado. Além disso, ele ressalta que é importante uma maior colaboração entre os diferentes órgãos responsáveis pelo combate ao fenômeno, para que haja uma atuação mais integrada e eficiente.
Por fim, o investigador reforçou a importância do papel da sociedade civil na fiscalização e no monitoramento dos órgãos responsáveis pelo combate à corrupção. Ele acredita que a participação da população é fundamental para garantir a eficácia das medidas adotadas e para manter a pressão sobre as autoridades e gestores públicos.
Portugal ainda tem um longo caminho a percorrer no combate à corrupção, mas com a adoção de medidas concretas e uma mudança de mentalidade, é possível construir um país mais justo e ético. É preciso que todos os envolvidos – governantes, órgãos de controle, sociedade civil e cidadãos – estejam comprometidos em promover uma verdadeira mudança. E o livro “Decifrar a Corrupção” de Ti




