Renato Duque foi um dos nomes mais conhecidos durante a Operação Lava Jato, que investigou um grande esquema de corrupção envolvendo a Petrobras e diversas empreiteiras do país. Em meio às muitas acusações e condenações, Duque foi apontado como um dos principais beneficiados do esquema, recebendo milhões em propinas. Contudo, o ex-diretor da estatal sempre negou as acusações e agora, após cinco anos de prisão, ele aguarda em liberdade o julgamento de suas apelações.
Duque foi preso em novembro de 2014, durante a sétima fase da Operação Lava Jato, acusado de receber propinas em contratos da Petrobras. Segundo a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), ele teria recebido cerca de R$ 5,6 milhões em propinas entre 2006 e 2012, período em que ocupou o cargo de diretor de Serviços da estatal. Além disso, Duque também teria participado de um esquema de lavagem de dinheiro através de empresas de fachada.
Entretanto, o ex-diretor sempre negou as acusações e alegou que as denúncias contra ele foram baseadas unicamente em delações premiadas, sem nenhuma prova concreta. Em sua defesa, Duque afirmou que nunca recebeu qualquer valor indevido e que todas as suas movimentações financeiras foram legais e declaradas. Ele também ressaltou que, durante as investigações, seus bens foram bloqueados e sua família sofreu diversas consequências negativas, mesmo sem nenhuma condenação em primeira instância.
Em abril deste ano, Duque foi condenado em segunda instância a 43 anos de prisão pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Contudo, ele segue em liberdade até o julgamento de seus recursos. Em entrevista recente, o ex-diretor afirmou que acredita na justiça e que continuará lutando para provar sua inocência. Ele também criticou o uso de delações premiadas como única prova em processos criminais, ressaltando que muitas vezes são utilizadas de forma seletiva e sem comprovação.
A defesa de Renato Duque também aponta diversas irregularidades no processo, como a falta de provas materiais e a utilização de delações premiadas sem outras evidências. Além disso, a defesa alega que Duque foi condenado apenas por sua posição na Petrobras, sem nenhuma ligação direta com os desvios de recursos. Segundo seus advogados, a condenação foi baseada em suposições e não em fatos concretos.
Apesar de todas as acusações e condenações, Duque sempre se manteve firme em sua inocência e em sua luta por justiça. Ele afirma que está pagando por um crime que não cometeu e que sua família segue sofrendo com as consequências dessa acusação. Ainda assim, o ex-diretor se mantém otimista e acredita que a verdade prevalecerá.
A situação de Renato Duque levanta diversas questões sobre o processo penal brasileiro e o uso de delações premiadas como prova em casos de corrupção. Muitas vezes, essas delações são utilizadas como única evidência, sem a necessidade de provas materiais, o que pode levar a condenações injustas. Além disso, o uso seletivo dessas delações também é uma preocupação, já que muitas vezes são utilizadas apenas contra determinados réus, enquanto outros acabam sendo beneficiados.
É importante que o processo penal brasileiro seja revisto e aprimorado, para garantir que as condenações sejam baseadas em provas concretas e não apenas em delações premiadas.




