A diretora brasileira Anna Muylaert é conhecida por suas produções cinematográficas que abordam temas sociais e familiares de maneira sensível e reflexiva. Seus filmes, como “Que horas ela volta?” e “Mãe só há uma”, trazem à tona questões como desigualdade de classes, maternidade e identidade de gênero. Em seu mais recente trabalho, “Ainda Estamos Aqui”, Muylaert mais uma vez mergulha em um tema relevante e controverso: a identidade de gênero. No entanto, ao contrário do que se poderia esperar, a diretora explicou que este não seria o foco central da narrativa.
Lançado em 2021, “Ainda Estamos Aqui” acompanha a história de Catarina, uma mulher trans que retorna à sua cidade natal após a morte de sua mãe. Ao chegar, Catarina busca reconectar-se com sua família, mas encontra resistência por parte de seu pai e irmão, que têm dificuldade em aceitá-la como mulher. Em entrevistas, Anna Muylaert revelou que a identidade de gênero de Catarina não seria o principal assunto do filme, mas sim um elemento que permeia a trama e reflete as questões e conflitos de seus personagens.
Ao abordar a história de Catarina, Muylaert explora a complexidade das relações familiares e a dificuldade de aceitação de pessoas trans. A protagonista não é definida apenas por sua identidade de gênero, mas sim por suas relações com seu pai, irmão e as memórias de sua mãe. A diretora optou por focar no ser humano, e não nas questões de gênero. Isso não significa que a identidade de Catarina seja menos importante, mas sim que é tratada de forma natural e sem estereótipos.
Em uma sociedade que ainda lida com a transfobia e a discriminação de pessoas trans, a abordagem de Muylaert é importante e necessária. Ao trazer a identidade de gênero de forma sutil e integrada à trama, a diretora destaca a humanidade de Catarina e de todos os personagens, mostrando que todos têm suas próprias questões e conflitos, independente de sua orientação sexual ou identidade de gênero.
Além disso, é válido ressaltar que a decisão de não focar na identidade de gênero da protagonista também pode ser vista como um ato de resistência. Muitas produções cinematográficas que abordam o tema acabam caindo em estereótipos e narrativas que reforçam os preconceitos existentes na sociedade. Ao não dar tanta importância à questão de gênero, Muylaert rompe com essas expectativas e mostra que a história de Catarina é muito mais do que sua identidade de gênero.
Outro ponto interessante a se destacar é o fato de que, mesmo não sendo o foco central da narrativa, a identidade de gênero de Catarina é respeitada e tratada com naturalidade durante todo o filme. Não há discussões ou questionamentos sobre sua transição, o que mostra que, para sua família e amigos, essa é apenas mais uma característica de Catarina, e não um fato a ser questionado ou julgado.
Em tempos em que o cinema ainda é predominantemente masculino e heteronormativo, a abordagem de Muylaert é um passo importante para a representatividade de pessoas trans na sétima arte. Ao mostrar uma história que não se baseia em estereótipos e que não coloca a identidade de gênero como foco principal, a diretora quebra barreiras e contribui para uma sociedade mais inclusiva e respeitosa.
Em resumo, a diretora Anna Muylaert explicou que a identidade de gênero da protagonista em “Ainda




