O setor do calçado, componentes, artigos de pele e seus sucedâneos é um dos mais importantes para a economia portuguesa, representando cerca de 4% do PIB nacional e empregando mais de 40 mil pessoas. No entanto, o presidente da Associação Portuguesa dos Industriais do Calçado, Componentes, Artigos de Pele e seus Sucedâneos (APICCAPS) alerta que o ano que se avizinha não será fácil para a indústria, devido ao abrandamento dos principais mercados e à situação política de instabilidade com dois cenários de guerra.
Em entrevista recente, o presidente da APICCAPS, Luís Onofre, destacou que o setor do calçado tem enfrentado um cenário desafiador nos últimos anos, com a concorrência de países asiáticos e a crise económica europeia. No entanto, a indústria portuguesa tem conseguido manter-se competitiva, graças à qualidade e inovação dos seus produtos. Mas o ano de 2020 traz novos desafios.
Segundo Luís Onofre, o abrandamento dos principais mercados internacionais, como Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha, é uma preocupação para a indústria do calçado português. A guerra comercial entre Estados Unidos e China, a incerteza em torno do Brexit e a desaceleração da economia alemã são fatores que podem afetar as exportações portuguesas.
Além disso, a situação política de instabilidade mundial também é uma preocupação para o setor. Com a escalada de tensões entre Estados Unidos e Irã, e a guerra na Síria, a instabilidade política pode afetar a confiança dos consumidores e, consequentemente, o consumo de produtos de luxo, como é o caso do calçado português.
No entanto, o presidente da APICCAPS ressalta que a indústria está preparada para enfrentar estes desafios. “O setor do calçado português tem uma capacidade de adaptação incrível e uma grande capacidade de resposta aos desafios. Temos uma indústria moderna, tecnologicamente avançada e com uma forte aposta na inovação”, afirma Luís Onofre.
A inovação tem sido uma das principais apostas da indústria do calçado português nos últimos anos. Com o apoio de programas de incentivo à inovação, as empresas têm investido em novos materiais, design e tecnologias, tornando os seus produtos cada vez mais competitivos e atraentes para os consumidores.
Além disso, a diversificação de mercados tem sido outra estratégia adotada pela indústria do calçado português. Com a crescente procura por produtos de qualidade e design diferenciado em mercados emergentes, como Ásia e América Latina, as empresas portuguesas têm apostado na diversificação de mercados para reduzir a dependência dos principais mercados europeus.
Para enfrentar os desafios do ano que se avizinha, Luís Onofre destaca a importância da união e cooperação entre as empresas e entidades do setor. “Juntos somos mais fortes e podemos enfrentar qualquer desafio. A colaboração entre empresas, associações e entidades governamentais é fundamental para o sucesso da indústria do calçado português”, afirma o presidente da APICCAPS.
Apesar dos desafios, Luís Onofre mantém um tom positivo e motivador para o futuro do setor. “O setor do calçado português tem uma história de sucesso e uma capacidade de superação incrível. Estamos preparados para enfrentar qualquer desafio e tenho certeza de que sairemos ainda mais fortes desta situação”,




