O cenário político brasileiro tem sido palco de intensas discussões e debates nos últimos meses. Entre as pautas mais discutidas, está a criação da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) para investigar possíveis irregularidades nas eleições presidenciais de 2018. No entanto, um fato recente chamou a atenção de todos: o presidente da CPMI, senador Angelo Coronel, afirmou que contou apenas sete votos dos catorze votantes. Essa declaração gerou muitas dúvidas e questionamentos, mas também trouxe à tona uma reflexão importante sobre a transparência e a eficiência dos processos políticos.
Para entender melhor o contexto, é necessário voltar alguns meses atrás. A criação da CPMI foi anunciada em abril de 2019, com o objetivo de investigar supostas fake news e a disseminação de notícias falsas nas eleições de 2018. O presidente da comissão, senador Angelo Coronel, é do partido PSD e foi escolhido por ser um nome de consenso entre os partidos políticos. Logo após a divulgação da lista dos membros da CPMI, surgiram especulações de que o presidente não teria o apoio necessário para conduzir os trabalhos da comissão.
Porém, a confirmação veio apenas no dia 4 de setembro, quando o próprio Angelo Coronel afirmou que, durante a primeira reunião da CPMI, foram contabilizados apenas sete votos, sendo que o total de membros é de catorze. Diante dessa situação, o presidente da comissão decidiu adiar a votação para a escolha do relator, alegando que era necessário ter pelo menos oito votos para garantir a legalidade do processo.
Essa declaração gerou uma série de questionamentos e dúvidas sobre o real andamento da CPMI. Alguns parlamentares afirmaram que não foram avisados sobre a reunião, enquanto outros alegaram que estiveram presentes, mas não puderam votar por problemas de saúde ou por estarem em outros compromissos. Além disso, houve acusações de que a ausência de alguns membros seria proposital, com o objetivo de atrasar ou até mesmo inviabilizar a comissão.
Diante de toda essa polêmica, é importante destacar o papel fundamental da transparência e da lisura nos processos políticos. A CPMI foi criada com o objetivo de investigar possíveis irregularidades nas eleições, mas se o próprio presidente da comissão afirma que não há o número suficiente de votos para garantir a legalidade do processo, como a população pode confiar que os resultados serão realmente imparciais? É preciso que os políticos entendam a importância de agir com ética e transparência em todas as decisões que tomam, pois são eles que representam a população e devem zelar pelo bem comum.
Além disso, a situação da CPMI também evidencia a importância de uma reforma política no Brasil. O atual sistema político é marcado por inúmeras falhas e distorções, que muitas vezes impedem a efetividade das decisões e ações dos parlamentares. É preciso que os governantes tenham coragem e comprometimento para promover mudanças reais nesse sistema, que garantam uma maior representatividade e uma maior participação da população nas decisões políticas.
Por fim, é necessário destacar que a declaração do presidente da CPMI não deve ser vista apenas como um fato negativo, mas sim como uma oportunidade de reflexão e mudança. A transparência e a lisura devem ser valores fundamentais em qualquer processo político, e cabe a todos nós, como cidadãos, cobrar e exigir que esses valores sejam respeitados.




