A CPI do Crime Organizado no Senado aprovou nesta quarta-feira (25) uma série de requerimentos que prometem trazer novas informações sobre as investigações em curso. Entre os convocados estão o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e o atual ministro da Fazenda, Paulo Guedes.
A convocação de uma pessoa para depor na CPI não é opcional, podendo a Comissão pedir a condução coercitiva em caso de ausência. E com a aprovação desses requerimentos, a CPI entra em uma nova fase de investigação, buscando levar suas investigações para além das periferias e alcançar também os esquemas do andar de cima.
Entre os convocados, estão também ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, no contexto da investigação contra o Banco Master. Além disso, foram aprovados convites aos ex-ministros da Fazenda, Guido Mantega e Rui Costa, e ao atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
Outro ponto importante é a convocação dos ex-ministros da Cidadania do governo Bolsonaro, João Roma e Ronaldo Vieira Remo. Segundo o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), há indícios que os ligariam ao banqueiro Daniel Vorcaro e, por isso, é importante que sejam ouvidos pela CPI. A senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) também destacou a proximidade do ex-ministro João Roma com Ronaldo Bento, diretor do Banco Pleno, que foi recentemente liquidado pelo Banco Central.
Outra figura importante que foi convocada é o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. A convocação aponta que a desregulação do mercado financeiro durante sua gestão teria favorecido a prática de fraudes, como a do Banco Master. A senadora Soraya Thronicke destacou que Vorcaro tentou conseguir autorização para ingressar no sistema financeiro durante toda a década de 2010, mas só conseguiu no governo de Campos Neto, em 2019.
O senador Jaques Wagner (PT-BA) também apontou a importância de entender as mudanças normativas promovidas pelo Banco Central durante a gestão de Campos Neto e se elas criaram um ambiente propício para a expansão da lavagem de dinheiro.
Já a convocação do ex-ministro da Fazenda Paulo Guedes foi defendida pelo senador Randolfe Rodrigues, que afirmou ser necessário investigar se as políticas de desregulação do mercado financeiro entre 2019 e 2022 criaram um ambiente para a prática de fraudes. A oposição, no entanto, se opôs à convocação, alegando que ela tem motivação político-eleitoral.
Entre os requerimentos aprovados, também estão a quebra de sigilos fiscais e bancários do Banco Master e de seus sócios, além da quebra de sigilo da Reag Investimentos, empresa que foi liquidada pelo Banco Central por suspeita de participação nas fraudes do Banco Master.
No entanto, nem todos os requerimentos foram aprovados. A CPI rejeitou a convocação de Letícia Caetano dos Reis, apontada como ex-funcionária do senador Flávio Bolsonaro e irmã de um dos sócios de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. Além disso, também foi rejeitado o pedido de convocação do ex-ministro do Trabalho e Previdência Social, José Carlos Oliveira.
Com a aprovação desses requerimentos, a CPI do Crime Organizado entra em uma nova fase de investigações, buscando esclarecer as possíveis relações entre o Banco Master e figuras políticas e econômicas do país. É




