A importância das empresas estatais e a necessidade de valorizá-las
A privatização de empresas estatais tem sido discutida e criticada cada vez mais nos últimos anos. No entanto, a ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, afirma que a existência dessas empresas é fundamental para o desenvolvimento social e econômico do país. Em um evento no Rio de Janeiro, Dweck reforçou a importância das estatais e rebateu as críticas contra elas, ressaltando que, em muitos casos, a privatização pode significar uma piora na qualidade dos serviços oferecidos à população.
Ao contrário do que muitos pensam, as empresas estatais não são um peso para a sociedade brasileira, mas sim um patrimônio do povo e um ativo para o desenvolvimento sustentável do país. Elas são responsáveis por construir infraestrutura, integrar regiões, gerar empregos, sustentar a capacidade estratégica e a soberania nacional, além de serem fundamentais para a pesquisa e inovação aplicadas, o crédito e o financiamento a longo prazo, e para a oferta de serviços essenciais em áreas onde a iniciativa privada não alcança.
Sem as empresas estatais, muitos direitos, serviços e oportunidades simplesmente não existiriam. É o caso, por exemplo, dos Correios, que enfrentam dificuldades financeiras e atualmente negociam com o governo para obter aportes e empréstimos. A estatal, responsável pela universalização do serviço postal em todo o país, é vital para garantir o acesso da população aos serviços de entrega e correspondência, principalmente nas regiões mais afastadas e de difícil acesso.
Em outros países, assim como no Brasil, o serviço postal é considerado estratégico e tem sido mantido sob o controle estatal para garantir sua continuidade e qualidade. No entanto, a ministra Dweck ressalta que a empresa passa por uma crise financeira por ser uma atividade de custo elevado, mas que é fundamental para a sociedade. É necessário, portanto, que o governo trabalhe em um plano de reestruturação dos Correios para que a empresa possa continuar oferecendo seus serviços à população de forma eficiente.
É importante destacar também que, em alguns casos, a privatização não tem resultado em melhoria dos serviços oferecidos à população. Um exemplo recente é o da concessionária de energia elétrica Enel, que tem sido alvo de críticas pela demora no restabelecimento do fornecimento de energia após ocorrências climáticas. Situações como essa mostram que a privatização não é sempre a solução para os problemas enfrentados pelas empresas estatais.
Além disso, é necessário lembrar que o investimento em empresas estatais é uma forma de o governo contribuir para o desenvolvimento de determinados setores da economia e gerar empregos. Em meio à crise econômica e ao desemprego crescente, as estatais estão sendo responsáveis por grande parte dos investimentos realizados no país. Em dois anos e meio, as empresas estatais investiram mais de R$ 12 bilhões, seis vezes mais do que o governo anterior havia investido no mesmo período.
No entanto, ainda há uma alta resistência à presença de empresas estatais no imaginário de muitas pessoas, principalmente influenciados por opiniões de especialistas que confundem déficit com prejuízo. Muitas vezes, uma empresa pode ter lucro e, ao mesmo tempo, apresentar déficit no balanço financeiro devido a investimentos feitos. É importante que a sociedade entenda que o investimento em empresas estatais é essencial para o crescimento do país e para a melhoria da qualidade de vida da população.
O evento realizado no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)




