Cerca de 30 países críticos ao esboço de acordo proposto pela presidência brasileira, que não menciona o assunto
No dia 22 de outubro de 2020, o presidente Jair Bolsonaro conduziu uma reunião virtual com líderes de 30 países, para discutir um esboço de acordo que seria apresentado na próxima conferência climática da ONU. No entanto, o esboço de acordo proposto pela presidência brasileira não mencionava um assunto crucial para a luta contra as mudanças climáticas: o desmatamento ilegal.
O desmatamento ilegal é um problema que atinge não apenas o Brasil, mas todo o mundo. De acordo com o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), de agosto de 2019 a julho de 2020, a Amazônia brasileira perdeu uma área equivalente a 15 vezes a cidade de Nova York por conta do desmatamento. Além disso, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o desmatamento na Amazônia aumentou 34% no último ano, em comparação com o mesmo período anterior.
Diante desses dados alarmantes, é compreensível a preocupação dos países críticos ao esboço de acordo proposto pelo Brasil. Afinal, como líderes de outros países poderiam confiar em um acordo que não aborda um dos principais problemas ambientais do mundo?
Além disso, o desmatamento ilegal não é apenas um problema ambiental, mas também social e econômico. Segundo o relatório “Paraíso Perdido”, publicado pelo Instituto Internacional de Pesquisa em Políticas Alimentares (IFPRI), o desmatamento ilegal é responsável por um prejuízo de cerca de US$ 2 bilhões, anualmente, para a economia brasileira. Além disso, a degradação da floresta leva à perda de biodiversidade, deslocamento de comunidades tradicionais e indígenas e impactos negativos na saúde e no bem-estar das populações locais.
Diante disso, é inegável a importância de incluir o tema do desmatamento ilegal no acordo proposto pela presidência brasileira. Especialmente considerando que a Amazônia é conhecida como o “pulmão do mundo” e tem um papel vital na regulação do clima global.
Entretanto, é preciso ressaltar que o esboço de acordo não foi completamente rejeitado pelos líderes presentes na reunião. De acordo com a agência de notícias Reuters, alguns países, como a França e a Alemanha, reconheceram que houve avanços em algumas áreas, como a meta de neutralidade de carbono até 2050 e a promoção das energias renováveis. No entanto, eles também cobraram a inclusão do desmatamento ilegal como parte do acordo.
É importante ressaltar que o Brasil tem um grande potencial para liderar a luta contra as mudanças climáticas. O país é o nono maior emissor de gases de efeito estufa do mundo, e possui uma das maiores áreas de floresta tropical do planeta. Além disso, o setor agropecuário é responsável por cerca de 25% do PIB brasileiro, o que significa que medidas efetivas para combater o desmatamento ilegal podem ter um impacto positivo também na economia do país.
Portanto, é fundamental que o Brasil assuma a responsabilidade de combater o desmatamento ilegal e se comprometa a incluir essa questão no acordo proposto. Além disso, é preciso que o governo invista em políticas eficazes para o controle e a fiscalização do desmatamento, além de promover o desenvolvimento sustentável na região amazônica.
Cabe ressaltar que, apesar dos questionamentos em relação ao esbo




