A Associação da Hotelaria de Portugal (AHP) divulgou um comunicado no início desta semana apontando para uma situação “longe de ser satisfatória” na indústria hoteleira nacional. A organização criticou a entrada em vigor do novo Sistema Europeu de Controlo de Entradas e Saídas (SEF), afirmando que a medida está a trazer impactos negativos para o setor.
De acordo com a AHP, a implementação do SEF, que visa melhorar os controlos de fronteira e a segurança interna no espaço Schengen, está a causar constrangimentos às empresas hoteleiras portuguesas. O novo sistema exige que os hóspedes dos hotéis preencham um formulário com informações detalhadas sobre a sua identidade e a sua estadia, o que tem gerado atrasos no processo de check-in e, consequentemente, insatisfação dos clientes.
Para a presidente da AHP, Cristina Siza Vieira, a entrada em vigor do SEF é um exemplo de burocracia excessiva e desenfreada, que prejudica a competitividade do setor hoteleiro português. Segundo ela, a medida não só está a gerar desconforto para os hóspedes, como também está a agravar os custos das empresas, que tiveram que aumentar a sua equipa para lidar com o preenchimento dos formulários e os processos de verificação.
Além disso, a AHP também destacou que o SEF está a criar uma imagem negativa de Portugal para os turistas internacionais, que enfrentam filas e atrasos na fronteira, antes mesmo de chegarem aos hotéis. A organização alertou que este cenário pode afetar a confiança e a satisfação dos visitantes, o que pode ter impacto nas futuras decisões de viagem.
Para a associação, a situação é ainda mais problemática tendo em conta o atual contexto económico. Com a recuperação do setor após um ano de pandemia, a AHP acredita que o SEF está a impedir que as empresas hoteleiras tirem proveito do aumento da procura por alojamento em Portugal, especialmente durante o verão.
A AHP também criticou a falta de preparação para a implementação do SEF. Segundo a organização, não houve um período de transição ou de testes, o que deixou os hotéis e os turistas totalmente despreparados para a chegada do novo sistema. Para a associação, esta falta de planeamento mostra uma falta de consideração pelos agentes do setor.
A entidade aproveitou ainda para reafirmar a sua posição contra a aplicação do SEF nos hotéis. A AHP tem defendido que a medida deve ser centralizada nos aeroportos e que exista uma maior articulação entre o SEF e os sistemas de reservas dos hotéis, para garantir uma simplificação e rapidez no processo de registo dos hóspedes.
Ainda assim, a AHP mostrou-se confiante de que as autoridades responsáveis estarão atentas aos problemas gerados pelo SEF e que tomarão medidas para solucioná-los. No comunicado, a associação pediu uma revisão urgente do sistema, de forma a minimizar o impacto negativo no setor hoteleiro e a manter a atratividade de Portugal como destino turístico.
Apesar dos desafios enfrentados com a entrada em vigor do SEF, a AHP reforçou a sua confiança na resiliência e na capacidade de adaptação dos seus associados. A organização tem a certeza de que as empresas hoteleiras portuguesas irão superar mais este obstáculo, mantendo a qualidade do serviço e o acolhimento caloroso que são marcas do turismo nacional.
Por fim, a AHP deixou uma mensagem de otimismo, lembrando que Portugal é um destino




