A cena com Wagner Moura em O Agente Secreto reacende a memória de um objeto urbano que já foi essencial para a comunicação nas ruas. Estamos falando do orelhão, um símbolo icônico das cidades brasileiras que, por muitos anos, foi a principal forma de se fazer uma ligação telefônica fora de casa.
O filme, dirigido por Fernando Coimbra, se passa na década de 1980, em plena ditadura militar, e acompanha a história de um agente secreto brasileiro que se infiltra em um grupo guerrilheiro para obter informações. Em uma das cenas, o personagem de Wagner Moura utiliza um orelhão para fazer uma ligação, despertando a nostalgia em quem viveu essa época e a curiosidade nos mais jovens, que talvez nunca tenham visto um orelhão em funcionamento.
O orelhão foi criado em 1970 pela empresa Telebras e se tornou um símbolo da modernidade e da democratização das comunicações no Brasil. Antes disso, as ligações telefônicas eram feitas apenas em residências ou em estabelecimentos comerciais que possuíam um telefone fixo. Com a popularização dos orelhões, as pessoas podiam fazer ligações em locais públicos, como ruas, praças e estações de metrô, por um preço acessível.
Além de ser um meio de comunicação, o orelhão também se tornou um ponto de encontro e de referência nas cidades. Quem nunca combinou de se encontrar em um orelhão antes da era dos celulares? Ou usou o orelhão como ponto de referência para se localizar em uma cidade desconhecida? Ele também foi utilizado como cenário para muitas fotos e até mesmo como palco para artistas de rua.
No entanto, com o avanço da tecnologia e a popularização dos celulares, o orelhão foi perdendo sua relevância e, aos poucos, foi sendo substituído por outros meios de comunicação. Hoje em dia, é raro encontrar um orelhão em funcionamento nas ruas. Muitos foram retirados de circulação ou se tornaram apenas objetos decorativos em algumas cidades.
A cena em O Agente Secreto nos faz refletir sobre como a tecnologia tem mudado a forma como nos comunicamos e como alguns objetos que eram essenciais em um determinado momento, acabam se tornando obsoletos com o passar do tempo. No entanto, o orelhão ainda possui um valor simbólico e nostálgico para muitas pessoas, que se lembram com carinho dos tempos em que precisavam procurar um orelhão para fazer uma ligação importante.
Além disso, o orelhão também é um objeto urbano que faz parte da história e da identidade das cidades brasileiras. Ele é um símbolo de uma época em que a comunicação era mais limitada, mas também mais presente e significativa. É importante preservar esses objetos e suas memórias, para que as gerações futuras possam conhecer e entender a evolução das tecnologias e da sociedade.
A cena com Wagner Moura em O Agente Secreto é um lembrete de que, mesmo com o avanço tecnológico, é importante valorizar e preservar as memórias e os símbolos de uma época. O orelhão pode não ser mais tão utilizado como antes, mas ainda possui um lugar especial na memória e no coração de muitas pessoas. E é através de cenas como essa que podemos reviver e relembrar momentos marcantes da nossa história.
Portanto, ao assistir O Agente Secreto e ver Wagner Moura utilizando um orelhão, é impossível não sentir uma mistura de nostalgia e saudade. O orelhão pode ter perdido sua função original, mas jamais perder




