Artigo: Pedido de impeachment contra governador do Distrito Federal é protocolado por partidos de oposição
No Distrito Federal, o clima político está agitado após o protocolo de um pedido de impeachment contra o governador Ibaneis Rocha por parte de partidos de oposição. O motivo? Sua suposta participação em operações envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master.
O pedido foi apresentado pelo PSB-DF, pelo Cidadania-DF e pelo PSOL, que apontam possíveis crimes de responsabilidade cometidos pelo governador. Entre eles, estão a atuação temerária do Executivo, com risco ao erário e violação de princípios da administração pública.
As investigações que envolvem o governador surgiram após o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, citar o nome de Ibaneis Rocha nas negociações entre as instituições bancárias. O banqueiro é um dos alvos das investigações sobre a tentativa de venda do Banco Master ao BRB.
Segundo os partidos de oposição, houve uma atuação indevida do governo local, com possíveis influências nas decisões do BRB e negociações sem transparência com o banqueiro. Além disso, também é apontada a compra de títulos de baixa qualidade e origem irregular, além da criação de dívidas fora do orçamento.
Porém, o governador Ibaneis Rocha nega todas as acusações. Em declarações à imprensa, ele afirmou que nunca tratou do assunto com Vorcaro, e que todas as negociações foram conduzidas pelo então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. Ibaneis também confirmou que teve encontros sociais com o banqueiro, mas que nunca discutiu assuntos relacionados ao banco.
O governador também ressaltou que confiou demais no ex-presidente do BRB, demitido após a deflagração das operações da Polícia Federal e do Ministério Público. Segundo as investigações, em 2024 e 2025, o BRB injetou R$ 16,7 bilhões no Banco Master, o que é alvo de investigação por suspeita de gestão fraudulenta.
O rombo estimado no BRB chega a R$ 4 bilhões, e o Banco Central determinou que o BRB faça um provisionamento de pelo menos R$ 2,6 bilhões para cobrir possíveis prejuízos. Até o momento, o BC não confirmou essa informação.
As investigações também apontam falhas graves de governança e possíveis ilícitos administrativos nas operações entre o BRB e o Banco Master. Por isso, ex-executivos das duas instituições foram intimados a prestar depoimento no fim de janeiro e início de fevereiro.
O caso começou a ser investigado após a tentativa de compra de uma fatia relevante do Banco Master pelo BRB em 2025, com apoio do governo do Distrito Federal. Porém, essa iniciativa foi barrada pelo Banco Central. Paralelamente, a Polícia Federal apura se o BRB comprou carteiras de crédito de alto risco do Banco Master, e também analisa possíveis falhas nos processos internos de análise, aprovação e governança.
Em novembro do ano passado, uma operação conjunta da PF e do Ministério Público afastou o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, que posteriormente foi demitido. Além das investigações conduzidas pelos órgãos competentes, a nova gestão do BRB e uma auditoria independente também estão analisando as transações, mas ainda não divulgaram conclusões oficiais.
O momento político vivido no Distrito Federal é delicado, mas é importante que as investigações sejam conduzidas de forma transparente e just




