A morte da Mãe Carmen Oxaguian, líder do Terreiro do Gantois em Salvador, deixou o país de luto. Aos 98 anos, ela partiu deixando um legado de amor, fé e compromisso com a ancestralidade africana. Seu falecimento foi lamentado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pela ministra da Cultura Margareth Menezes e por diversos artistas e autoridades.
Mãe Carmen era uma figura importante no cenário religioso brasileiro. Como ialorixá do Terreiro do Gantois, um dos mais tradicionais terreiros de candomblé do país, ela liderou com sabedoria e amor por mais de 20 anos. Seu trabalho foi fundamental para manter viva a tradição ancestral e espiritualidade africana, que se tornou parte da cultura e do coração dos brasileiros.
Em sua carta de pesar, o presidente Lula ressaltou a importância de Mãe Carmen para a comunidade do Gantois e para todo o país. Ele e sua esposa, Janja, ficaram profundamente tristes com a notícia da partida da líder religiosa. Lula destacou que ela cultivou com amor e compromisso sagrado a tradição que lhe foi transmitida pelas matriarcas do Terreiro, como Mãe Menininha.
A ministra da Cultura, Margareth Menezes, também prestou homenagem a Mãe Carmen. Em suas redes sociais, ela destacou os valores que a líder religiosa cultivou em sua vida, como o amor, o acolhimento e a força de liderar pelo exemplo. Margareth teve o privilégio de conhecer Mãe Carmen não apenas como uma autoridade espiritual, mas também como uma grande mulher de fé.
O Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania também emitiu uma nota de pesar, se solidarizando com a comunidade do Gantois pela perda da ialorixá. Em sua mensagem, o Ministério ressaltou que a partida de Mãe Carmen representa uma grande perda para o povo de santo, para a Bahia e para o país. Sua vida é um legado de sabedoria, firmeza espiritual e compromisso com a ancestralidade.
Diversos artistas também se manifestaram sobre a morte de Mãe Carmen. O músico Gilberto Gil, amigo e admirador da líder religiosa, expressou sua tristeza e deixou uma mensagem de despedida. Para ele, Mãe Carmen deixa saudades, mas seu legado e sua memória permanecerão vivos. Gil pediu a Obatalá, orixá da paz e da sabedoria, para proteger a líder espiritual em sua jornada.
Mãe Carmen nasceu em 1926, na Casa do candomblé, e foi iniciada aos sete anos. Desde então, dedicou sua vida ao candomblé e à liderança do Terreiro do Gantois. Ela era conhecida por sua sabedoria, sua firmeza espiritual e sua devoção à ancestralidade africana. Sua partida deixa um vazio na comunidade do Gantois e em todo o país.
A líder religiosa deixa duas filhas, três netos e quatro bisnetos. Seu velório seguirá até sábado (27), quando será enterrada em Salvador. Seu legado, no entanto, permanecerá vivo através da memória de todos aqueles que tiveram o privilégio de conhecê-la e daqueles que continuarão a preservar a tradição e a espiritualidade africana. Que Mãe Carmen descanse em paz e que seu exemplo continue a inspirar e guiar gerações futuras.




