A violência é um problema que assola a sociedade brasileira há décadas. Infelizmente, ela está presente em diversas esferas, inclusive nas instituições que deveriam zelar pela segurança e bem-estar da população. Recentemente, um episódio de violência e censura na Câmara dos Deputados chamou a atenção e gerou indignação em todo o país.
Na terça-feira (9), durante uma sessão na Câmara, o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) ocupou a cadeira da presidência em protesto contra o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB). Enquanto Braga era retirado à força do local, jornalistas, fotógrafos, cinegrafistas e assessores de imprensa também foram agredidos e impedidos de exercer seu trabalho.
Esse ato de violência e censura foi repudiado por diversas entidades representativas, que lamentaram o cerceamento do direito à informação e à liberdade de imprensa. A situação foi tão grave que motivou uma audiência pública no Senado, realizada na quinta-feira (11), para discutir o assunto.
O presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Octávio Costa, afirmou que a instituição deu entrada em uma representação junto à Procuradoria-Geral da República (PGR) pedindo ação contra o deputado Hugo Motta por crime de responsabilidade. Segundo Costa, o ato de censura praticado pelo presidente da Câmara infringe a Constituição Federal e não pode ficar impune.
Além disso, a ABI também protocolará outras representações de denúncia na Comissão de Direitos Humanos da Casa, na Organização dos Estados Americanos (OEA) e na Comissão de Ética da Câmara dos Deputados. É importante que haja uma resposta judicial contra o que ocorreu, pois um presidente da Câmara dos Deputados deve dar o exemplo e não agir de forma violenta e censuradora.
A coordenadora de Incidência para a América Latina da Repórteres sem Fronteiras (RSF), Bia Barbosa, destacou que esse episódio de violência e censura é reflexo da banalização e naturalização do cerceamento da atividade jornalística e de comunicação no país. Infelizmente, essa situação tem se intensificado durante o governo atual e é preciso que haja uma mudança nesse cenário.
A presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), Kátia Brembatti, também se manifestou sobre o assunto. Ela ressaltou que a postura de políticos, agentes de segurança e até mesmo do cidadão comum tem sofrido uma escalada de abordagem violenta, seja na forma física, verbal ou judicial.
É importante destacar que a imprensa não está imune a críticas, mas elas devem ser feitas de forma respeitosa e não através de agressões e censura. Kátia também alertou para o número crescente de processos judiciais que são caracterizados como assédio judicial, com o intuito de intimidar e silenciar os profissionais de imprensa.
A presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Samira Cunha, lembrou que o Relatório Anual da Violência contra Jornalistas e Liberdade de Imprensa aponta que, somente em 2020, houve 144 casos de violência contra jornalistas no Brasil. Esse número é alarmante e mostra que ainda há muito a ser feito para garantir a segurança e a liberdade de imprensa no país.
A Fenaj também ressaltou que o cerceamento do trabalho da imprensa resulta na perda do direito à informação dos cidadãos. Em um país




