Sérgio de Magalhães Gomes Jaguaribe, mais conhecido como Jaguar, foi um dos cartunistas mais irreverentes e influentes do Brasil. Seu traço afiado e humor ácido conquistaram o público e o tornaram um dos principais nomes do humor gráfico brasileiro. Com uma carreira de mais de cinco décadas, Jaguar deixou sua marca através de suas charges e caricaturas, utilizando sua arte como uma poderosa ferramenta de crítica social e política.
Nascido em 29 de março de 1932, no Rio de Janeiro, Jaguar iniciou sua carreira no jornalismo aos 16 anos, trabalhando como repórter fotográfico no Diário Carioca. Mas foi no jornal O Pasquim, fundado em 1969, que ele encontrou seu lugar de destaque no mundo dos quadrinhos. Ao lado de outros grandes nomes, como Ziraldo e Henfil, Jaguar ajudou a revolucionar o humor gráfico brasileiro, trazendo um estilo irreverente e contestador para as páginas do jornal.
Com olhar crítico e perspicaz, Jaguar não poupava ninguém em suas charges e caricaturas. Seus traços eram capazes de retratar, de forma cômica, os problemas sociais e políticos do Brasil e do mundo. Ele não tinha medo de expor suas opiniões e usar seu talento para provocar reflexões e debates na sociedade. Suas obras eram um misto de humor e crítica, sempre com uma dose de sarcasmo e inteligência.
Um dos temas mais recorrentes em suas charges era a ditadura militar que dominou o Brasil de 1964 a 1985. Jaguar foi um dos principais opositores do regime, e através de suas ilustrações, conseguiu denunciar e ridicularizar as ações dos governantes. Ele foi um dos primeiros artistas a desafiar a censura imposta pelo governo, utilizando metáforas e símbolos em suas charges para burlar a repressão. Com isso, ele se tornou um símbolo de resistência e liberdade de expressão.
Além da política, Jaguar também abordava em suas charges assuntos como o racismo, a violência, a desigualdade social e a corrupção. Seu humor mordaz e provocativo fazia com que as pessoas refletissem sobre essas questões e despertassem para a realidade do país. Ele também criou personagens marcantes, como o Zé do Apocalipse, um homem comum que representava o povo brasileiro e seus dilemas.
Outra característica marcante de Jaguar era sua habilidade em retratar personalidades famosas, como políticos, artistas e celebridades. Suas caricaturas eram tão precisas e bem-humoradas que se tornaram alvo de colecionadores e admiradores. Ele também foi o responsável por ilustrar capas de livros de grandes escritores brasileiros, como Machado de Assis e Carlos Drummond de Andrade.
Jaguar também teve uma passagem pela televisão, onde apresentou um programa de humor na Rede Globo, intitulado “TV Paz e Amor”. Ele também escreveu para revistas e jornais, além de lançar diversos livros com suas charges e ilustrações. Seus trabalhos foram reconhecidos e premiados no Brasil e no exterior, e ele se tornou uma referência para novos artistas do humor gráfico.
Infelizmente, Jaguar faleceu em 2020, aos 88 anos, deixando um legado importante para a cultura brasileira. Sua irreverência e coragem em usar a arte como um instrumento de crítica e transformação social serão sempre lembrados. Seus traços afiados e seu humor ácido continuarão a provocar reflexões e inspirar novas gerações de cartunistas.
Em resumo, Jaguar foi muito mais do que um cartunista irreverente. Ele foi um art




