Em 24 de maio de 2020, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, se tornou o primeiro chefe de governo do país a enfrentar um julgamento penal enquanto ainda estava no cargo. O processo judicial contra Netanyahu começou após anos de investigações e acusações de irregularidades em diferentes áreas de sua gestão como líder do país.
O julgamento foi anunciado pelo procurador-geral israelense, Avichai Mandelblit, em novembro de 2019, após uma série de decisões judiciais que impediram Netanyahu de obter imunidade parlamentar para seus casos em andamento. O primeiro-ministro, que está no poder há mais de uma década, é acusado de corrupção, fraude e quebra de confiança em três casos distintos, que ficaram conhecidos como “Caso 1000”, “Caso 2000” e “Caso 4000”.
O “Caso 1000” se refere às acusações de recebimento de presentes luxuosos, como charutos, champanhe e joias, no valor de milhões de shekels, de empresários em troca de favores políticos. Já o “Caso 2000” envolve a suposta negociação de Netanyahu com o dono do jornal israelense Yedioth Ahronoth, Arnon Mozes, para uma cobertura mais favorável em troca de restrições à concorrência de um outro jornal, o Israel Hayom. Por fim, o “Caso 4000” trata da suspeita de que Netanyahu teria interferido na regulamentação da empresa de telecomunicações Bezeq em troca de uma cobertura positiva do site de notícias Walla, que pertence ao mesmo grupo.
O primeiro-ministro nega todas as acusações e se considera vítima de uma “caça às bruxas” promovida pela mídia e pelos adversários políticos. Durante seu discurso no início do julgamento, Netanyahu disse que as acusações são “ridículas” e “infundadas” e que está sendo alvo de um “linchamento político”. Ele também afirmou que seu objetivo é “limpar seu nome” e provar sua inocência.
O processo judicial contra Netanyahu é um marco histórico para Israel, já que é a primeira vez que um chefe de governo enfrenta um julgamento criminal enquanto está no cargo. Além disso, o primeiro-ministro é o único líder político do país que foi indiciado por crimes enquanto ainda estava no poder. O caso também é considerado um teste para o sistema jurídico israelense, que tem sido alvo de críticas e acusações de politização.
O julgamento está sendo acompanhado de perto pela população de Israel e tem gerado ampla cobertura da mídia. Enquanto apoiadores de Netanyahu afirmam que ele é vítima de uma perseguição política e que as acusações não têm mérito, seus opositores acreditam que o primeiro-ministro deve ser responsabilizado por suas ações e que o julgamento é uma oportunidade para a justiça ser feita. Alguns também veem o processo como uma oportunidade para promover mudanças no sistema político israelense, que é conhecido por sua fragmentação e pelos frequentes casos de corrupção envolvendo figuras públicas.
Apesar do início do julgamento, Netanyahu continua no cargo de primeiro-ministro e diz que não pretende renunciar. No entanto, a situação política em Israel é instável, já que o país realizou três eleições parlamentares em menos de um ano e ainda não conseguiu formar um governo estável. Alguns analistas acreditam que o julgamento pode influenciar o cenário político e até mesmo levar a novas eleições, caso Netanyahu seja condenado.
Enquanto o processo judicial contra Netanyahu ainda está em fase inicial e pode levar anos para ser concluído, ele




