O XXV Governo Constitucional de Portugal tomou posse no dia 26 de outubro de 2019, liderado pelo primeiro-ministro Luís Montenegro. No entanto, uma das primeiras observações feitas sobre o novo executivo foi a sua composição: menos mulheres do que o governo anterior, também liderado por Montenegro, e uma renovação de 30% ao nível das secretarias de Estado. Mas será que isso é realmente um problema?
Antes de mais, é importante destacar que a presença de mulheres em cargos políticos é um tema cada vez mais relevante e discutido em todo o mundo. A luta pela igualdade de género e pela representatividade feminina na política é uma realidade que tem ganhado força nos últimos anos, e Portugal não é exceção. No entanto, é preciso analisar a situação com cautela e não cair em generalizações precipitadas.
Em primeiro lugar, é importante notar que a presença de mulheres no governo não é o único indicador de igualdade de género na política. É necessário olhar para o contexto geral e para as políticas e medidas implementadas pelo governo em relação a este tema. E, nesse sentido, o XXV Governo Constitucional tem dado passos importantes.
Uma das primeiras medidas tomadas pelo novo governo foi a criação da Secretaria de Estado para a Cidadania e a Igualdade, liderada por Rosa Monteiro. Esta secretaria tem como objetivo promover a igualdade de género e combater a discriminação, e é um sinal claro de que o governo está comprometido com esta causa.
Além disso, o governo também tem mostrado preocupação em promover a igualdade de género em outras áreas, como a educação e o mercado de trabalho. O programa do governo inclui medidas para promover a igualdade salarial entre homens e mulheres, incentivar a participação das mulheres em áreas consideradas “masculinas” e combater a violência doméstica.
Outro ponto importante a ser destacado é que, apesar de haver menos mulheres no governo, as que estão presentes ocupam cargos de grande relevância. Por exemplo, a nova ministra da Justiça, Francisca Van Dunem, é a primeira mulher a ocupar este cargo em Portugal. Além disso, há também uma maior diversidade étnica e geracional no novo executivo, o que é um sinal de abertura e renovação.
É também importante lembrar que a presença de mulheres em cargos políticos não deve ser vista apenas como uma questão de números, mas sim de qualidade. O governo anterior, liderado por Montenegro, tinha uma presença feminina maior, mas isso não significa necessariamente que as políticas implementadas foram mais favoráveis às mulheres. O que realmente importa é a atuação e o comprometimento do governo em promover a igualdade de género e garantir os direitos das mulheres.
Por fim, é preciso ter em mente que a renovação de 30% ao nível das secretarias de Estado é um sinal positivo de que o governo está aberto à inclusão e à diversidade. A renovação é importante para trazer novas ideias e perspetivas para a política, e não deve ser vista como uma ameaça à igualdade de género.
Em suma, embora o XXV Governo Constitucional tenha menos mulheres do que o anterior, é importante olhar para o contexto geral e para as medidas implementadas pelo governo em relação à igualdade de género. O comprometimento com esta causa é evidente, e é isso que realmente importa. Além disso, a presença de mulheres em cargos de destaque e a renovação do executivo são sinais positivos de que o governo está aberto à diversidade e à inclusão. O importante é continuar a lutar pela igualdade de género e garantir que as mulheres tenham voz e representatividade na política.




